Foto: Warner Bros
Produção de Alejandro González Iñárritu aposta no absurdo
Em Digger, Tom Cruise está prestes a chegar aos cinemas em um de seus trabalhos mais diferentes — e controversos — dos últimos anos.
E as primeiras exibições de Digger, novo longa dirigido por Alejandro González Iñárritu, provocaram uma verdadeira divisão entre os jornalistas que já assistiram ao filme.
Enquanto alguns classificam a produção como uma das experiências cinematográficas mais ousadas de 2026, outros consideram que a ambição do diretor não encontra equilíbrio suficiente na narrativa.
Digger marca o retorno de Cruise a um papel dramático

O filme, produzido pela Warner Bros. e pela Legendary, apresenta Cruise em uma transformação visual radical para interpretar Digger Rockwell.
Isto é, um excêntrico e bilionário magnata do petróleo que acredita ter uma missão quase divina: salvar a humanidade de uma catástrofe ambiental que, ironicamente, foi provocada por suas próprias ações.
A história começa quando uma operação de exploração desencadeia um desastre ambiental de proporções globais.
A partir desse momento, Digger passa a tentar convencer o mundo de que é justamente ele quem poderá impedir o fim do planeta.
No elenco também estão Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons.
Tom Cruise é um dos grandes destaques
Apesar das divergências em relação ao filme como um todo, existe um ponto em que boa parte da crítica parece concordar: a atuação de Tom Cruise.
Para Jim Hemphill, da IndieWire, o astro entrega seu melhor trabalho desde Magnólia, além de protagonizar uma produção visualmente impressionante.
“Não apenas mostra a melhor atuação de Tom Cruise desde Magnólia, é um dos filmes de estúdio visualmente mais inventivos, conceitualmente audaciosos e imprevisíveis já feitos.”
Anne Thompson, também da IndieWire, seguiu uma linha semelhante e classificou Digger como “um filme de arte corajoso e lindo”.
Segundo ela, a produção provavelmente terá dificuldades para conquistar o público convencional, mas poderá encontrar espaço entre os votantes da Academia, especialmente nas categorias técnicas e de atuação.
Outras reações destacaram ainda o trabalho de Riz Ahmed e John Goodman, além do design de produção e da cinematografia.
Nem todo mundo se convenceu da proposta
Se a performance de Cruise recebeu elogios, a construção narrativa e o tom da produção foram responsáveis pelas críticas mais negativas.
Matt Neglia, fundador do Next Best Picture, considerou o papel um dos mais interessantes de Cruise em anos, mas apontou problemas no equilíbrio entre a atuação e a história.
“Este é o papel mais dinâmico e interessante de Tom Cruise em anos.”
Ao mesmo tempo, o crítico argumentou que a narrativa ambiciosa de Iñárritu acaba privilegiando uma teatralidade exagerada em detrimento de uma abordagem mais profunda e emocional.
Clayton Davis, especialista em premiações da Variety, também reconheceu a ousadia do projeto, mas afirmou que nem todos os elementos funcionam juntos.
“Eu respeito o swing e o que Alejandro González Iñárritu está fazendo. Tom Cruise e John Goodman estão entregando um trabalho estelar, e o design de produção e a cinematografia são impressionantes.”
Porém, Davis acrescentou que gostaria que o longa mergulhasse ainda mais no absurdo e na sátira.
Para ele, “a divisão neste vai ser grande”.
Críticos classificam o filme como “bagunça” e “desagradável”
Entre as avaliações mais duras, Joey Magidson, do Awards Radar, chamou a produção de “bagunça” e afirmou que vários elementos simplesmente não funcionam.
Edward Douglas também demonstrou pouco entusiasmo e chegou a prever uma possível recepção extremamente negativa do público.
Já Mike Ryan descreveu a experiência como “desagradável”.
As críticas negativas parecem estar relacionadas principalmente à maneira como Iñárritu mistura sátira, absurdo, drama, ficção apocalíptica e elementos de cinema de arte.
Assim, para alguns jornalistas, a combinação resulta em uma experiência fascinante e imprevisível.
Para outros, o excesso de ideias prejudica justamente o impacto que a história pretende causar.
Essa divisão pode ser um dos principais fatores a acompanhar durante a temporada de premiações.
Uma aposta completamente diferente na carreira de Cruise

Digger também chama atenção por representar uma mudança significativa na trajetória recente de Tom Cruise.
Depois de anos associado principalmente a grandes franquias e filmes de ação, como Missão: Impossível e Top Gun: Maverick, o ator retorna a um papel voltado para um público adulto e com forte componente dramático e satírico.
Além disso, a transformação física para interpretar Digger foi outro assunto bastante comentado antes das primeiras exibições.
Cruise aparece com maquiagem e próteses que inicialmente levavam cerca de seis horas para serem aplicadas.
O próprio ator contou que decidiu trabalhar com a equipe de maquiagem para reduzir drasticamente esse tempo.
“Eu tinha um cara lá com um cronômetro e eu estou tipo: ‘OK, você vê aquele tempo, seis horas? No momento em que terminarmos, teremos menos de uma hora’.”
Segundo Cruise, o processo foi cronometrado e repetido diversas vezes até que a equipe conseguisse chegar ao resultado desejado em aproximadamente uma hora.
Projeto nasceu durante a produção de O Regresso
A origem de Digger também está ligada a um projeto que Iñárritu desenvolvia desde o período de O Regresso.
O filme foi lançado em 2015 e é o grande responsável por render ao diretor mexicano seu segundo Oscar consecutivo de Melhor Direção.
Aliás, Cruise foi confirmado oficialmente no elenco em 2024, enquanto as filmagens ocorreram entre o fim daquele ano e abril de 2025, nos estúdios Pinewood, no Reino Unido.
Por fim, a produção utilizou película 35mm e o formato VistaVision.
Durante boa parte do desenvolvimento, o longa circulou internamente com o título provisório Judy, antes de ser oficialmente apresentado como Digger.
Com orçamento estimado em US$ 125 milhões, a produção chega aos cinemas cercada por uma expectativa incomum.
Isto é, além de precisar conquistar o público, terá de superar a enorme divisão provocada pelas primeiras avaliações.
Filme pode surpreender na temporada de premiações?
Mesmo com as críticas negativas, Digger continua sendo apontado por parte dos jornalistas como um possível concorrente em categorias técnicas e de atuação.
A transformação de Cruise, o trabalho visual e a direção de Iñárritu aparecem entre os elementos com maior potencial para chamar a atenção da Academia.
Por outro lado, a forte polarização pode dificultar uma eventual campanha de premiação.
Se alguns críticos enxergam uma obra corajosa, original e imprevisível, outros acreditam que o filme exagera em sua proposta e acaba perdendo força.
Uma coisa, porém, parece consensual: Digger não é exatamente o filme que o público esperava de Tom Cruise.
A produção tem estreia prevista nos cinemas brasileiros em 1º de outubro, colocando o astro novamente no centro das atenções.
Desta vez, não apenas por suas cenas de ação, mas por uma atuação completamente diferente de seus trabalhos mais recentes.
E você, ficou curioso para assistir a Digger depois de tantas reações divididas?
Além disso, acha que Tom Cruise pode surpreender em seu novo papel?
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