Foto: Prime Video
Lili Reinhart e Tom Bateman têm química suficiente para fazer o romance funcionar
Em meio à atual onda de adaptações de sucessos literários e fenômenos do BookTok, A Hipótese do Amor chega apostando em uma fórmula bastante conhecida — namoro falso, protagonistas completamente diferentes e sentimentos que começam a escapar do controle.
A produção dirigida por Claire Scanlon, porém, mostra que seguir uma receita conhecida não significa necessariamente entregar um resultado sem graça.
O longa tem charme, bons momentos de humor e, principalmente, dois protagonistas que conseguem sustentar a história mesmo quando o roteiro começa a apresentar algumas limitações.
A Hipótese do Amor: Uma comédia romântica cheia de clichês

Certamente, existe algo reconfortante em uma boa comédia romântica que não tem vergonha de ser exatamente isso: os famosos clichês.
O novo filme do Prime Video baseado no best-seller de Ali Hazelwood, acompanha Olive Smith (Lili Reinhart), uma estudante de doutorado em Stanford que dedica sua pesquisa à detecção precoce do câncer de pâncreas.
A motivação tem um peso pessoal: Olive perdeu a mãe para a doença e transformou a experiência em combustível para sua carreira científica.
Enquanto tenta avançar em sua pesquisa e conquistar financiamento, Olive também se vê envolvida em uma situação amorosa bastante complicada.
Sua melhor amiga, Anh, acredita que ela ainda está interessada em Jeremy, um colega por quem Olive já teve sentimentos.
Para convencer a amiga de que seguiu em frente, ela toma uma decisão impulsiva: beija o primeiro homem disponível.
O escolhido, para seu azar — ou sorte — é Adam Carlsen, interpretado por Tom Bateman.
Conhecido em Stanford por sua personalidade difícil, exigência extrema e comportamento pouco amigável com os alunos, Adam parece ser a última pessoa com quem Olive deveria se envolver.
Só que o beijo acaba dando origem a um acordo de namoro falso que interessa aos dois.
Olive precisa convencer Anh de que não existe mais nada entre ela e Jeremy.
Adam, por sua vez, precisa demonstrar aos responsáveis pelo departamento que pretende permanecer em Stanford e construir sua vida acadêmica ali, aumentando suas chances de conseguir financiamento para seu próprio laboratório.
É aí que começa o experimento que dá título à história: quanto tempo duas pessoas conseguem fingir que estão apaixonadas antes de perceberem que os sentimentos se tornaram reais?
A química entre Lili Reinhart e Tom Bateman é o grande trunfo
Se há um elemento que impede A Hipótese do Amor de cair completamente na previsibilidade, ele está justamente na dupla principal.
Lili Reinhart encontra em Olive uma personagem que poderia facilmente se tornar apenas a típica protagonista atrapalhada das comédias românticas.
Entretanto, a atriz consegue acrescentar inteligência, vulnerabilidade e um timing cômico bastante eficiente.
Olive é insegura em alguns momentos, mas também determinada e extremamente dedicada à própria pesquisa.
Logo, Reinhart consegue transitar entre essas diferentes facetas sem transformar a personagem em uma caricatura.
Tom Bateman, por outro lado, começa como o tradicional professor carrancudo e aparentemente inacessível.
Adam é quase uma versão acadêmica do arquétipo do homem alto, misterioso e emocionalmente fechado que o gênero romântico adora.
A graça está justamente em acompanhar a transformação gradual do personagem. Conforme Adam baixa a guarda, Bateman consegue revelar um lado mais vulnerável e carinhoso que ajuda a explicar por que Olive começa a se apaixonar por ele.
Os dois funcionam especialmente bem quando estão juntos.
Assim, as provocações, os momentos constrangedores e as situações em que precisam convencer outras pessoas de que realmente estão namorando proporcionam algumas das cenas mais divertidas do filme.
A química não está apenas nos momentos românticos. O casal também funciona como dupla de comédia, algo fundamental para uma produção que depende tanto do equilíbrio entre romance e humor.
Um filme que abraça as comédias românticas dos anos 1990 e 2000

Um dos maiores méritos da produção é não tentar esconder suas influências.
A Hipótese do Amor parece ter consciência de que o público sente falta daquele tipo de comédia romântica popular nos anos 1990 e 2000.
Desta forma, a história aposta em situações familiares, diálogos leves, constrangimentos amorosos e pequenas cenas capazes de arrancar aquele sorriso involuntário de quem já conhece muito bem esse tipo de narrativa.
E isso não necessariamente é um problema.
O filme entende que o público não está procurando uma reinvenção completa do gênero.
Muitas vezes, quer apenas uma história confortável, divertida e romântica o suficiente para fazer algumas horas passarem rapidamente.
Nesse aspecto, o longa entrega exatamente o que promete.
Mesmo os clichês são tratados com certa consciência. A produção sabe que estamos diante de um namoro de mentira que inevitavelmente vai se transformar em algo verdadeiro.
A questão não é descobrir se isso acontecerá, mas acompanhar como os personagens chegarão até lá.
A origem curiosa da história rende algumas brincadeiras
Para quem conhece a trajetória do livro de Ali Hazelwood, existe ainda uma camada extra de diversão.
A história nasceu originalmente como uma fanfic inspirada na relação entre Rey e Kylo Ren, de Star Wars.
A coincidência ganha contornos ainda mais curiosos porque Tom Bateman, responsável por interpretar Adam na adaptação, é casado com Daisy Ridley, atriz que viveu Rey nos filmes da franquia.
Aliás, a produção brinca discretamente com essa origem.
Adam aparece frequentemente vestido de preto e algumas escolhas de enquadramento e trilha sonora parecem brincar com a ideia de que o personagem poderia estar prestes a entrar em cena como um verdadeiro vilão de Star Wars.
São referências que não precisam ser compreendidas para o filme funcionar, mas que acrescentam uma camada divertida para quem conhece a história por trás do livro.
Os coadjuvantes ajudam a história a respirar
Outro ponto positivo está na maneira como o filme utiliza os personagens secundários.
Rachel Marsh, como Anh, ganha espaço suficiente para não funcionar apenas como a melhor amiga responsável por colocar o romance em movimento.
Além disso, a amizade entre ela e Olive é importante para a protagonista e continua relevante mesmo quando Adam começa a ocupar cada vez mais espaço na narrativa.
Jaboukie Young-White também se destaca como Malcolm, colega de Olive.
O personagem poderia facilmente cair em estereótipos comuns desse tipo de produção, mas o roteiro oferece momentos de humor e vulnerabilidade que ajudam a torná-lo mais interessante.
Essa atenção aos relacionamentos não românticos é importante. Afinal, A Hipótese do Amor funciona melhor quando entende que a vida de Olive não pode ser reduzida ao relacionamento com Adam.
O problema aparece quando chega o terceiro ato
Apesar dos muitos acertos, o filme está longe de ser perfeito.
Aliás, a principal fragilidade está no terceiro ato.
Depois de passar boa parte da história construindo a relação entre Olive e Adam, a narrativa precisa resolver rapidamente uma série de conflitos, especialmente envolvendo Tom Benton, interpretado por Arty Froushan.
O resultado é uma conclusão um pouco acelerada. Algumas situações parecem ser apresentadas e solucionadas rapidamente demais, diminuindo o impacto emocional que poderiam ter.
Essa pressa também prejudica algumas histórias secundárias.
Personagens que poderiam receber mais desenvolvimento acabam ficando em segundo plano, enquanto o roteiro corre para entregar o inevitável desfecho romântico.
É justamente nesse ponto que fica evidente a diferença entre um romance literário e sua adaptação cinematográfica.
No entanto, o livro tem mais espaço para desenvolver pensamentos, relações e conflitos internos. E o filme precisa condensar tudo em pouco menos de duas horas.
Uma adaptação divertida, mas que poderia ter ido além

Também existem escolhas que podem dividir os fãs do livro.
Algumas mudanças feitas pela produção funcionam bem para tornar a narrativa mais cinematográfica e dar ritmo à história.
Outras, porém, fazem com que determinados acontecimentos pareçam mais superficiais do que poderiam ser.
Além disso, o roteiro ocasionalmente se apoia demais em frases e situações típicas do gênero. Para quem espera uma comédia romântica completamente original, isso pode causar certa frustração.
A direção de Claire Scanlon também não tenta transformar o material em algo particularmente sofisticado.
O filme é eficiente, mas visualmente convencional. Em alguns momentos, parece mais interessado em reproduzir a estrutura que o público já conhece do que em encontrar uma identidade própria.
Por outro lado, talvez essa seja justamente a intenção.
A Hipótese do Amor não parece querer revolucionar a comédia romântica.
Quer recuperar o prazer de assistir a uma história previsível que consegue ser agradável mesmo quando sabemos exatamente para onde ela está caminhando.
Vale a pena assistir?
No fim das contas, A Hipótese do Amor é uma experiência mais charmosa do que revolucionária.
O filme funciona graças à combinação entre o carisma de Lili Reinhart, a transformação gradual do personagem de Tom Bateman e a química evidente entre os dois.
Além disso as participações de Rachel Marsh e Jaboukie Young-White também ajudam a tornar o universo da protagonista mais interessante.
Ao mesmo tempo, o roteiro perde força quando precisa amarrar todos os conflitos, especialmente no terceiro ato.
A história poderia ter desenvolvido melhor alguns personagens e conflitos, e a direção poderia ter dado ao material uma personalidade mais marcante.
Ainda assim, há mérito em uma produção que não tem vergonha de abraçar os clichês que fizeram o gênero conquistar tantos fãs.
Não é necessário reinventar a roda para fazer uma boa comédia romântica.
Às vezes, basta ter personagens carismáticos, diálogos divertidos, algumas situações constrangedoras, uma dose generosa de romance e química suficiente para fazer o público torcer pelo casal.
E A Hipótese do Amor tem boa parte desses ingredientes.
Portanto, para quem sente saudade das comédias românticas clássicas ou simplesmente procura um filme leve, divertido e romântico para assistir no Prime Video, A Hipótese do Amor é uma aposta que vale a pena.
E você, já assistiu a A Hipótese do Amor?
O que achou da química entre Lili Reinhart e Tom Bateman?
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