Foto: HBO Max/Divulgação
O quinto episódio da segunda temporada de The Last of Us marca um divisor de águas brutal na jornada de Ellie.
Assim, o que começou como uma busca por justiça após a morte de Joel, agora se transforma abertamente em um caminho de dor, raiva e obsessão.
Com cenas impactantes, tensões psicológicas crescentes e decisões extremas, o episódio mostra que Ellie não é mais a mesma.
E, talvez, ela nunca mais volte a ser.
Série suaviza a jornada de vingança de Ellie

A segunda temporada de The Last of Us chegou à metade prometendo aprofundar a jornada emocional de Ellie.
Contudo, até aqui tem mostrado uma trajetória que, embora visualmente impecável e dramaticamente competente, se distancia das entranhas do jogo que lhe deu origem.
A HBO Max aposta em novos caminhos, mas essa escolha pode comprometer a essência que tornou Part II uma das experiências mais intensas e divisivas dos videogames.
Assim, se na primeira temporada as adaptações e mudanças de tom foram pontuais, como no episódio centrado em Bill e Frank, agora a série avança em um desvio mais profundo.
A violência que motivava a protagonista no jogo, ou seja, a vingança bruta, visceral e sem redenção, foi diluída em uma narrativa que busca justificativas emocionais mais palatáveis para as ações de Ellie.
A jovem interpretada por Bella Ramsey surge menos perdida e raivosa do que sua contraparte digital, e mais determinada por impulsos pontuais, como se a série quisesse suavizar seu arco trágico.
Aliás, é justamente a ausência desse sentimento de desespero que move Ellie no jogo se torna ainda mais evidente nos episódios recentes.
A tensão cresce e a violência explode em The Last of Us

A história segue Ellie e Dina em sua jornada por Seattle em busca de pistas sobre Abby.
Durante a missão, o trio se reencontra com Jesse e enfrenta emboscadas de Serafitas e do grupo WLF.
Além disso, a perseguição constante culmina com Ellie se separando dos amigos e invadindo o hospital Lakehill, onde reencontra Nora, uma das envolvidas na morte de Joel.
Mesmo com cenas fortes, como o interrogatório brutal com Nora, é difícil ignorar que a série evita mergulhar na selvageria que caracterizou a versão dos videogames.
Embora a sequência que se desenrola no hospital seja o ápice da brutalidade emocional do episódio, parece que algo ficou perdido no meio do caminho.
Apesar disso, a violência gráfica e emocional é intensa, e o episódio não suaviza a carga.
Assim, vemos uma Ellie bastante mudada.
Isto é, a fronteira entre justiça e vingança já não existe e Ellie cruzou o ponto sem retorno.
O impacto visual ainda impressiona

Inegavelmente, esse episódio de The Last Of Us brilha em momentos pontuais, especialmente na sequência subterrânea do hospital, onde a maquiagem e a direção de arte mergulham o espectador em um cenário digno dos games, com soldados deformados pelos esporos e tensão à flor da pele.
Além disso, a direção de Stephen Williams (de Watchmen e Westworld) cumpre o dever de criar suspense, mesmo sem arriscar muito visualmente.
O confronto entre Ellie e Nora, embora esperado, carrega o peso necessário, revelando o lado mais sombrio da protagonista e servindo como prenúncio do que está por vir.
Apesar do impacto visual e das boas atuações, com destaque para Ramsey e Merced, o roteiro parece mais preocupado em cumprir um checklist narrativo do que em desenvolver de fato os conflitos humanos.
Dina ganha um arco emocional mais detalhado, com revelações de seu passado e seu primeiro assassinato, o que enriquece sua relação com Ellie.
No entanto, personagens fundamentais como Tommy e Jesse são engolidos pela trama, aparecendo de forma apressada e quase descartável.
Flashbacks e fantasmas do passado
Ainda assim, The Last of Us oferece momentos de grande potência emocional, como o retorno de Pedro Pascal em um flashback tocante.
Joel reaparece brevemente, sorrindo para Ellie em uma manhã tranquila em Jackson, e a memória evoca o vínculo paternal entre os dois, tão central para a série quanto para o jogo.
Ademais, a cena contrasta com a fúria descontrolada que Ellie demonstra logo em seguida, ao torturar Nora em busca de informações sobre Abby.
É uma lembrança agridoce que reforça a brutalidade da transformação de Ellie, mas também sublinha o quanto a série tenta humanizá-la mais do que o necessário.
Por fim, fica subentendido que essa imagem do Joel herói, pai substituto e protetor, é a que Ellie tenta preservar, mesmo que isso a destrua no processo.
O que esperar da reta final de The Last of Us?
Enquanto Ellie mergulha cada vez mais fundo na violência, Dina e Jesse assumem funções de apoio e proteção.
Dina, ferida por uma flecha durante uma emboscada Serafita, é salva por Jesse, que chega a Seattle ao lado de Tommy.
Aliás as mudanças na cronologia em relação ao jogo adicionam tensão, antecipando conflitos que ainda estão por vir.
Além disso, fica nítido que esse episódio de The Last of Us é, até agora, o mais sombrio da temporada.
Logo, o episódio abandona qualquer resquício de ingenuidade que Ellie ainda carregava e nos apresenta uma protagonista quebrada, movida por rancor e sofrimento.
Sua sede por vingança não é mais apenas motivada por justiça, mas por um desejo quase irracional de punir o mundo pela dor que sente.
No fim das contas, este é um episódio que parece mais preocupado em preparar terreno para os grandes momentos do que em ser memorável por si só.
Há acertos, sim, como o retorno da ameaça dos esporos e o aprofundamento de Dina.
No entanto há também um certo cansaço, uma hesitação criativa em se afastar da sombra do primeiro jogo e de Joel, cuja ausência ainda ressoa fortemente.
Com apenas dois episódios restantes nesta temporada, a pergunta que fica é: The Last of Us ainda tem fôlego para surpreender?
E você, o que está achando da nova temporada? Conta pra gente nos comentários!
Siga a Miss TV nas redes sociais para mais análises, críticas e novidades do mundo das séries!
Nota do Episódio:
Descubra mais sobre Miss TV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
