Foto: Prime Video/Divulgação
Disponível na Prime Video, O Bad Boy e Eu nasce diretamente da cultura do Wattpad.
Isto é, plataforma que transformou romances adolescentes em fenômenos globais.
Nos últimos anos, diversas histórias publicadas online migraram para o audiovisual, seguindo uma fórmula que já se tornou familiar para o público jovem.
Nesse cenário, o filme dirigido por Justin Wu assume sem vergonha sua origem.
A proposta é clara: contar uma história romântica ambientada no ensino médio, baseada na clássica dinâmica entre dois personagens opostos que acabam descobrindo sentimentos um pelo outro.
Mas será que isso ainda funciona?
Uma comédia romântica feita para o público teen

O longa tenta unir romance adolescente, esporte colegial e dramas de amadurecimento.
Assim, a trama acompanha Dallas Bryan (Siena Agudong), uma estudante dedicada que mantém os olhos firmes em seu futuro acadêmico e artístico.
Determinada a conquistar uma bolsa de estudos e seguir seus próprios sonhos, ela evita distrações emocionais — especialmente aquelas que podem colocar seus planos em risco.
Do outro lado da história está Drayton Lahey (Noah Beck), o famoso quarterback da escola.
Popular, talentoso e cercado por expectativas familiares, ele carrega a reputação de bad boy do campus, ainda que sua rebeldia pareça muito mais estética do que real.
Quando os caminhos de Dallas e Drayton se cruzam, o filme constrói a clássica narrativa de opostos que se atraem, ainda que esse contraste nem sempre seja tão profundo quanto a história sugere.
Portanto, não há grandes tentativas de reinventar o gênero.
Em vez disso, a produção prefere abraçar os elementos que fizeram esse tipo de narrativa conquistar tantos fãs.
Protagonistas que sustentam a história
Certamente, O Bad Boy e Eu é um prato cheio para os amantes de clichês.
Nesse sentido, o encontro entre os dois protagonistas segue o manual clássico do romance adolescente: provocações iniciais, curiosidade mútua e, aos poucos, uma aproximação emocional inevitável.
Não há grandes surpresas no caminho que a história decide seguir e, talvez, nem seja essa a intenção.
Se o roteiro aposta em uma estrutura bastante previsível, o filme encontra seu principal ponto forte na química entre os protagonistas.
Siena Agudong dá à Dallas uma personalidade que vai além da típica protagonista de romance colegial.
Isto é, a personagem é determinada, consciente de seus objetivos e pouco interessada em se encaixar nas expectativas sociais do ambiente escolar.
Já Noah Beck — conhecido inicialmente por sua popularidade nas redes sociais — faz aqui um de seus primeiros papéis de destaque no cinema.
Seu Drayton evita o estereótipo do atleta arrogante e funciona melhor como um jovem tentando lidar com as pressões familiares e com o peso de manter sua posição de destaque no time.
Por fim, o que falar da dinâmica entre os dois?
Inegavelmente, ela sustenta o longa, especialmente nas cenas em que o romance começa a se desenvolver.
Entre romance, arquétipos e conflitos previsíveis

A estrutura de O Bad Boy e Eu segue quase à risca o manual das comédias românticas adolescentes.
Há a garota dedicada aos estudos, o atleta popular com conflitos familiares, a tensão inicial entre os dois e, claro, os obstáculos sociais que supostamente ameaçam o relacionamento.
O problema é que esses elementos raramente ganham complexidade.
Logo, o roteiro aposta em conflitos bastante seguros, como a pressão dos pais e as expectativas do futuro, mas nunca leva esses dilemas a um ponto realmente dramático.
Tudo parece cuidadosamente polido para não incomodar demais o espectador.
Por outro lado, um dos aspectos mais interessantes de O Bad Boy e Eu é aquilo que ele decide evitar.
Isto é, diferente de muitos romances adolescentes recentes, o filme não recorre a antagonistas caricatos ou rivalidades exageradas para criar conflito.
Não existe a clássica “garota popular” tentando sabotar o relacionamento, nem o atleta agressivo que transforma a escola em um campo de batalha social.
Romance confortável para fãs do gênero
Visualmente, o filme cumpre o que se espera de uma produção desse tipo: corredores de escola impecáveis, fotografia brilhante e coreografias organizadas.
Além daquela linguagem típica dos romances colegiais contemporâneos: caminhadas em câmera lenta, olhares prolongados e trilha sonora tentando transformar qualquer troca de palavras em um momento épico.
O Bad Boy e Eu: além do clichê
No conjunto, O Bad Boy e Eu funciona como um romance adolescente que segue fielmente a cartilha do gênero.

Desta forma, festas de ensino médio, conversas sobre o futuro, descobertas emocionais e momentos românticos cuidadosamente construídos compõem a estrutura do filme.
Isso pode ser visto como limitação, mas também como parte do charme da produção.
Logo, podemos afirmar que o longa não tenta ser mais complexo do que precisa.
Seu objetivo parece ser simplesmente entregar uma história leve, fácil de assistir e construída para quem já gosta desse tipo de narrativa.
O resultado é um filme que provavelmente não reinventará o romance adolescente no streaming, mas que consegue capturar o espírito das fanfics que dominaram a internet nos últimos anos.
E você: ainda se deixa envolver por romances adolescentes cheios de clichês ou prefere histórias que subvertam completamente esse tipo de fórmula?
O Bad Boy e Eu está em cartaz na Prime Video.
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Nota da Miss TV:
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