Foto: Paramount Pictures/Divulgação
Setembro 5, o mais novo filme de Tim Fehlbaum, reconstrói os bastidores da cobertura da tragédia de Munique em 1972, colocando em destaque o dilema entre a busca pela notícia e a responsabilidade ética.
Assim, a obra revive um marco na história da televisão, quando, pela primeira vez, um atentado terrorista foi transmitido ao vivo para o mundo, sob a liderança da equipe jornalística da ABC Sports.
Inspirado em eventos reais, Setembro 5 oferece um mergulho na complexidade do jornalismo ao vivo em um momento histórico de crise e tensão, o fatídico Massacre de Munique, nos Jogos Olímpicos de 1972.
Os Bastidores do Jornalismo Sob Pressão
A trama acompanha o produtor executivo Roone Arledge (Peter Sarsgaard) e sua equipe, composta por Geoff Mason (John Magaro), Marvin Bader (Ben Chaplin) e Marianne (Leonie Benesch), enquanto eles enfrentam dilemas morais e logísticos para reportar os acontecimentos em tempo real.
Aliás Peter Sarsgaard está brilhante como um executivo implacável que precisa decidir entre a busca por audiência e a responsabilidade ética em meio a um evento de proporções globais.
Assim, com um roteiro focado nos bastidores do jornalismo, o longa explora como esses profissionais, inicialmente escalados para cobrir competições esportivas, enfrentaram desafios inéditos ao relatar uma tragédia de proporções globais.
Uma Sala, Um Mundo de Dilemas Éticos
Setembro 5 não se limita a mostrar a pressão e o caos de uma redação em tempo real, mas também explora as questões éticas e morais que surgem quando se cobre um evento tão complexo e delicado.

Desta maneira, a tensão entre a necessidade de informar o público e a responsabilidade de não interferir nas negociações com os terroristas é um dos pontos altos do roteiro.
Grande parte da narrativa do longa se passa na sala de controle da ABC, onde as decisões tomadas em segundos poderiam influenciar o rumo do massacre.
Sem dúvida Fehlbaum utiliza o espaço claustrofóbico para intensificar a tensão, enquanto a equipe lida com questões éticas fundamentais: o que deve ser exibido? Como manter a objetividade sem transformar a tragédia em espetáculo?
Além disso, o filme destaca as barreiras tecnológicas da época, como o transporte de câmeras pesadas e a utilização de satélites limitados, elementos que ampliam o suspense e sublinham a dificuldade de operar sob extrema pressão.
Assim, esses aspectos técnicos, aliados à falta de ferramentas digitais modernas, trazem um senso de urgência que captura a atenção do público do início ao fim.
Setembro 5 reconstrói uma história precisa
Ao contrário de produções como Munique (2005), que explorou o ataque do ponto de vista político e militar, Setembro 5 opta por uma perspectiva quase apartidária.
Desta maneira, o diretor prioriza os embates internos e as tensões emocionais da equipe jornalística, abordando o impacto psicológico da cobertura e o papel da mídia em tempos de crise.
Embora isso enriqueça a narrativa, também torna a abordagem sobre o contexto político e as motivações do ataque superficial, deixando um certo vazio na exploração dos eventos históricos.
Contudo o filme é uma verdadeira aula de história do jornalismo. Ou seja, a reconstituição da época é impecável, desde os equipamentos utilizados até a atmosfera da redação.
A montagem habilmente mescla imagens de arquivo com cenas dramatizadas, criando uma experiência imersiva para o espectador, que prende do início ao fim.
Atuações precisas
Certamente, as atuações, especialmente de Sarsgaard, dão peso emocional à trama, destacando a tensão e o cansaço moral enfrentados pelos personagens.
Além disso, John Magaro e Leonie Benesch também brilham, dando vida a personagens que se transformam ao longo da narrativa.
Enfim, Setembro 5 reconstrói o drama vivido pela equipe da ABC de forma realista. A narrativa captura com precisão a correria e as escolhas difíceis feitas pelos jornalistas diante de um dos dias mais sombrios do esporte mundial.
E, assim, o telespectador é convidado a (re)viver àquele dia; o dia em que os terroristas do Grupo Setembro Negro capturaram e mataram 11 integrantes da equipe olímpica de Israel.
Setembro 5 mostra o outro lado do jornalismo
Mais do que um thriller histórico, 5 de setembro é uma celebração do jornalismo como ofício.
Assim, a trama destaca o impacto ético e moral da cobertura jornalística em situações de crise, mostrando como palavras e imagens têm o poder de influenciar o curso dos eventos.

Além disso, o filme convida o espectador a refletir sobre o papel da mídia em momentos de adversidade, sem perder de vista os desafios humanos e técnicos enfrentados por aqueles que reportam a história em tempo real.
Embora a ausência de um aprofundamento político possa afastar parte do público, Setembro 5 é uma obra impactante e bem executada, que revive um dos capítulos mais sombrios da história olímpica com intensidade e relevância.
Para quem aprecia filmes como Spotlight ou Todos os Homens do Presidente, esta produção promete ser uma experiência marcante.
Vale a sessão?
Setembro 5 é um filme que prende a atenção do início ao fim, com uma narrativa envolvente e uma direção precisa.
Apesar de abordar um tema delicado, o filme consegue encontrar um equilíbrio entre o drama e a informação, oferecendo ao espectador uma experiência cinematográfica rica e completa.
Logo, com sua direção precisa e atuações memoráveis, o longa é um relato instigante e cheio de suspense sobre um momento histórico crucial.
Embora o filme peque por apresentar uma certa frieza emocional, Setembro 5 conquista ao apresentar a tensão e o compromisso de profissionais que trabalharam sob pressão extrema para noticiar a verdade.
Assim, podemos afirmar que é uma obra obrigatória para quem aprecia dramas de bastidores e histórias sobre competência em ação.
O longa dirigido por Tim Fehlbaum já está em cartaz nos cinemas brasileiros
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