Foto: Getty Images
Drama de Danny Boyle estreia na competição e recebe ovação de cinco minutos
O cinema mundial voltou seus olhos para o Lido di Venezia nesta quarta-feira (2 de setembro), com a abertura da 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Um dos eventos mais tradicionais da temporada cinematográfica começou reunindo grandes nomes do cinema.
Assim como produções aguardadas e discursos que já movimentam as discussões para a corrida pelo Oscar 2027.
Aliás, a cerimônia de abertura teve como um dos principais destaques a entrega do Leão de Ouro de Realização de Vida a George Clooney.
Já o longa Ink, dirigido por Danny Boyle, foi escolhido para inaugurar a competição.
A produção, estrelada por Guy Pearce, Jack O’Connell e Claire Foy, ainda recebeu uma ovação de aproximadamente cinco minutos após sua primeira exibição.
O filme acompanha um momento decisivo da imprensa britânica: a aquisição do jornal The Sun por Rupert Murdoch, em 1969.
Ao lado do editor Larry Lamb, o magnata transforma a publicação em um dos tabloides mais influentes — e controversos — do Reino Unido.
Inspirado na peça teatral de James Graham, que também assina o roteiro, Ink reúne Boyle novamente com a produtora Tessa Ross, com quem trabalhou em Slumdog Millionaire.
Além disso, a produção também conta com Tracey Seaward e tem música de Daniel Pemberton e parece ser um forte candidato ao Oscar 2027.
George Clooney defende o poder do cinema em discurso

Se Ink movimentou a abertura pela força de sua estreia, George Clooney roubou parte dos holofotes com um discurso de tom humanista e político ao receber o Leão de Ouro por sua trajetória.
O ator, diretor e produtor falou sobre a capacidade das histórias de aproximar pessoas em um momento marcado por polarização e medo.
Para Clooney, o cinema tem a capacidade de lembrar ao público que as diferenças frequentemente são menores do que parecem.
“Ninguém ri em um idioma diferente. Ninguém chora em um idioma diferente. Os pais se preocupam da mesma forma, as crianças sonham o mesmo.”
Em outro momento, o homenageado fez uma crítica direta ao crescimento do autoritarismo e à tentativa de controlar jornalistas e artistas:
“As primeiras pessoas que os autoritários tentaram fechar não são políticos. Eles são jornalistas que fazem perguntas.”
Clooney também destacou que, embora os filmes não tenham o poder de interromper guerras ou solucionar problemas econômicos e políticos, podem provocar empatia e mudar a maneira como as pessoas enxergam umas às outras.
“Eles nos lembram que um estranho nunca é um estranho, e que ele pode ser apenas o herói na história de outra pessoa.”
A homenagem contou ainda com uma apresentação especial de Laura Dern, amiga e colaboradora de longa data do ator.
Aliás, a atriz comparou Clooney a uma das grandes figuras clássicas de Hollywood, Gregory Peck, afirmando que sua geração também possui um artista com características semelhantes.
Ink divide opiniões, mas conquista a crítica
Certamente, um dos maiores comentários nas redes sociais foi o retorno de Danny Boyle ao tapete vermelho.
A estreia do novo filme do cineasta rapidamente provocou reações variadas entre os críticos internacionais.
Apesar das diferenças de avaliação, a maior parte dos comentários destacou o ritmo acelerado da direção e o trabalho do elenco.
O The Times concedeu quatro estrelas ao longa e elogiou a maneira como Boyle utiliza diferentes recursos narrativos para transformar a história da imprensa britânica em um espetáculo visualmente intenso.
Já o The Daily Telegraph também atribuiu quatro estrelas e comparou a atmosfera da produção à de Mad Men, destacando a combinação de poder, ambição, jornalismo e excessos.
Bilge Ebiri, do Vulture, foi ainda mais entusiasmado e classificou Ink como “eletrizante”, chegando a considerá-lo o melhor filme de Boyle em décadas.
Para o crítico, a obra ultrapassa o contexto histórico e estabelece uma conexão com problemas políticos e sociais do presente.
A Screen International, por sua vez, destacou as performances do elenco, enquanto a Variety também elogiou a produção e apontou Jack O’Connell como um dos principais destaques.
O IndieWire, por outro lado, adotou uma posição mais moderada, atribuindo nota B.
Nesse sentido, a publicação considerou algumas das mensagens apresentadas pelo diretor previsíveis.
No entanto, ressaltou que o elenco consegue manter os personagens fascinantes mesmo quando eles não são particularmente simpáticos.
Por fim, o The Guardian deu três estrelas e reconheceu o desempenho de O’Connell, embora tenha criticado o excesso de estilização visual do longa, descrevendo a produção como agressiva, violenta e pouco sutil.
Danny Boyle brinca com as dificuldades para realizar o filme
Durante a coletiva de imprensa em Veneza, Danny Boyle comentou sobre os obstáculos enfrentados para tirar Ink do papel.
Assim, o diretor revelou que a produção foi realizada com recursos limitados e que existiam dúvidas sobre o interesse internacional por uma história tão ligada à imprensa britânica.
“Conseguimos com não muito dinheiro, e não foi fácil por todos os tipos de razões.”
Boyle também brincou com a reação das pessoas ao título do filme, já que Ink pode levar a interpretações completamente diferentes da verdadeira proposta da produção.
“Você diz a todos que está fazendo um filme chamado Ink. Eles dizem: ‘É um filme sobre tatuagens?’”
O cineasta aproveitou ainda para agradecer ao Studiocanal e ao Festival de Veneza pelo apoio ao projeto.
Um festival de olho no Oscar 2027

Inegavelmente, a abertura com Ink reforça a importância estratégica de Veneza para a temporada de premiações.
Historicamente, o festival funciona como uma das primeiras grandes vitrines para filmes que posteriormente ganham força em premiações internacionais, incluindo o Oscar.
Vale destacar que a competição principal desta edição conta com 21 produções.
Entre os títulos que chegam ao festival estão Bucking Fastard, de Werner Herzog e o thriller Primetime, dirigido por Lance Oppenheim e estrelado por Robert Pattinson.
The Echo Chamber, de Andrea Pallaoro; Possible Love, de Lee Chang-dong; e Bunker, de Florian Zeller, com Penélope Cruz e Javier Bardem também estão na disputa.
Fora da competição, a programação também inclui obras como The Basics of Philosophy, de Paul Schrader; Place to Be, com Ellen Burstyn e Pamela Anderson e From Inside Out – The Architecture of Peter Zumthor.
Além de Clooney, Ellen Burstyn também será homenageada com o Leão de Ouro de Realização de Vida.
Quando Ink chega aos cinemas?
Com distribuição internacional do Studiocanal e direitos de lançamento nos Estados Unidos pela Netflix, Ink terá uma trajetória ampla após sua passagem por Veneza.
Aliás, a Netflix programou a estreia do filme nos cinemas norte-americanos para 11 de dezembro, antes da chegada ao streaming em 8 de janeiro.
Já no Reino Unido, o lançamento está previsto para 8 de janeiro pelo Studiocanal.
O Festival de Veneza segue até 12 de setembro e será encerrado com God Laughs, dirigido por Giovanni Veronesi.
Entre homenagens, grandes estreias e possíveis candidatos à temporada de premiações, a edição de 2026 já começou mostrando por que Veneza continua sendo um dos eventos mais importantes do calendário cinematográfico.
E você, ficou interessado em assistir a Ink depois da repercussão da estreia em Veneza?
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