Foto: Paramount/Divulgação
Poucas franquias de terror foram tão inteligentes ao rir de si mesmas quanto Pânico.
Criada por Wes Craven, a saga nasceu para ironizar as regras do slasher e acabou criando as suas próprias.
Três décadas depois, o sétimo capítulo chega tentando provar que ainda há algo a dizer.
Logo, a pergunta que paira é: há mesmo?
O retorno de Sidney

Depois de uma produção marcada por turbulências e mudanças criativas, Pânico 7 chega aos cinemas cercado de expectativas e polêmicas.
Com a saída de Melissa Barrera e Jenna Ortega, o projeto mudou radicalmente de direção e apostou pesado na volta de sua protagonista original, Neve Campbell, trazendo Sidney Prescott novamente ao centro da narrativa.
Aliás, esse é o maior trunfo do longa.
Depois de ausente no filme anterior, sua volta funciona como um gesto simbólico de reconexão com as origens.
Nesse sentido, podemos dizer que Sidney não é mais a adolescente traumatizada de 1996, mas uma mulher madura, mãe, vivendo sob outro sobrenome e tentando manter distância do passado sangrento.
No entanto, tudo muda quando um novo Ghostface surge, colocando sua filha Tatum (Isabel May) na mira do assassino.
Com a ajuda de Gale Weathers (Courteney Cox) Sidney é forçada a encarar fantasmas que nunca deixaram de assombrá-la.
Inteligência artificial, deepfakes e um mistério previsível
Na tentativa de dialogar com a contemporaneidade, o filme aposta em inteligência artificial, clonagem de voz e deepfakes para reavivar fantasmas do passado — incluindo referências a Stu Macher, vivido originalmente por Matthew Lillard.
A proposta é interessante: usar a tecnologia para manipular memórias, espalhar paranoia e questionar o que é real.
Em teoria, é um terreno fértil para tensão.
Na prática, muitas dessas ideias parecem mais dispositivos convenientes de roteiro do que reflexões realmente perturbadoras.
Portanto, o uso da tecnologia serve para confundir personagens e provocar sustos pontuais, mas raramente aprofunda o debate sobre ética, manipulação digital ou cultura de fandom.
Além disso, o mistério — pilar fundamental da franquia — carece de impacto.
Parte do charme de Pânico sempre foi brincar com expectativas e virar o jogo no terceiro ato.
Aqui, a revelação soa previsível para alguns e genérica para outros.
Ou seja, a motivação dos novos Ghostfaces dificilmente entra para o hall das mais memoráveis da saga.
Mãe e filha: o coração de Pânico 7

Se há algo que sustenta Pânico 7, é a relação entre Sidney e Tatum.
A dinâmica entre mãe e filha funciona como fio condutor emocional e oferece alguns dos momentos mais sólidos do filme.
Neve Campbell retorna com segurança ao papel que a consagrou, reafirmando Sidney como uma das final girls mais icônicas do cinema.
Isabel May, por sua vez, assume papel central na tentativa de renovação da saga.
Embora sua personagem oscile entre atitudes impulsivas e fragilidade excessiva, há ali uma base interessante que poderia ter sido melhor explorada.
O problema é que, ao concentrar quase toda a narrativa nessa relação, o roteiro sacrifica o desenvolvimento dos demais personagens.
Logo, veteranos e novatos gravitam em torno da dupla principal sem função clara.
Até mesmo Gale, que ganha uma introdução promissora, acaba deixada de lado conforme a trama acelera rumo ao desfecho.
Entre a sátira e o descuido
Certamente, um dos maiores méritos da criação de Craven foi equilibrar humor e horror sem transformar o assassino em caricatura.
Antes de dirigir Pânico, o cineasta já havia refletido sobre o desgaste de franquias em O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger, quando percebeu o risco de transformar monstros em mascotes.
Em Pânico 7, essa linha é testada novamente.
Isto é, há momentos de tensão genuína, mortes criativas e sequências bem construídas — especialmente em invasões domiciliares e perseguições claustrofóbicas.
Tecnicamente, o filme é competente: fotografia eficiente, trilha que resgata temas clássicos e um design de produção que sabe explorar ambientes como labirintos de ameaça.
Mas há também decisões de personagens que ultrapassam a fronteira da sátira e entram no território do descuido.
Enfim, quando atitudes absurdas não parecem comentário metalinguístico, mas simples conveniência narrativa, a tensão perde força.
O filme em si

Apesar das falhas estruturais, Pânico 7 ainda cumpre o básico que se espera de um slasher: há tensão, perseguições eficientes e mortes que devem agradar aos fãs mais fiéis do Ghostface.
O suspense funciona em vários momentos, mesmo que a surpresa — elemento essencial da franquia — esteja em falta.
O grande problema é o impacto no legado.
Ou seja, os capítulos anteriores haviam aberto caminhos interessantes para novas protagonistas e novas possibilidades.
Ao recuar para a zona de conforto e apostar quase exclusivamente na nostalgia, o sétimo filme transmite a sensação de retrocesso criativo.
Em vez de reinventar as regras como fez em 1996, a franquia agora parece presa a elas.
No fim das contas, Pânico 7 não é um desastre absoluto — é um filme funcional, com bons momentos e uma protagonista sempre magnética.
Mas fica a sensação de que a saga poderia (e deveria) ser mais ousada.
Será que ainda há fôlego para reinventar a história de Ghostface sem depender constantemente do passado?
O sétimo filme da franquia já está em cartaz nos cinemas do país!
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Nota da Miss TV:
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