Foto: Netflix
Após dividir opiniões com sua terceira temporada, Bridgerton retorna com um quarto ano que demonstra ter ouvido atentamente seu público.
Disponível na Netflix desde 29 de janeiro, a Parte 1 da 4ª temporada — composta por quatro episódios — reorganiza seu foco narrativo.
E reafirma, assim, aquilo que sempre foi o coração da série: um romance central forte, bem desenvolvido e emocionalmente envolvente.
Romance no centro da narrativa
Inspirada livremente em Um Perfeito Cavalheiro, de Julia Quinn, a nova fase aposta em uma releitura do clássico conto da Cinderela para contar a história de amor entre Benedict (Luke Thompson) e Sophie Baek (Yerin Ha).
Nesse sentido, o ponto de partida é o já tradicional baile de máscaras organizado por Violet Bridgerton.
É ali que Benedict conhece a misteriosa “dama de prata”.
Isto é, uma mulher (Sophie Baek) que desaparece antes de revelar sua identidade e passa a ocupar seus pensamentos.
A sequência não apenas resgata o charme clássico da produção, como estabelece imediatamente o tom da temporada, que aposta em um romance de inspiração fabulesca e conduzido com mais cuidado do que o visto no ano anterior.
Benedict Bridgerton

Depois de Daphne, Anthony e Colin, chega a vez de Benedict assumir o protagonismo — e o resultado é bastante satisfatório.
Interpretado com carisma por Luke Thompson, o personagem ganha mais profundidade ao ser colocado diante de sentimentos que desafiam sua postura boêmia e avessa a convenções sociais.
Entretanto, o grande problema da temporada é conseguir colocar o personagem num papel de príncipe encantado.
No papel, o romance funciona. Na prática, surge um ruído importante: Benedict nunca foi um herói romântico tradicional.
Portanto, depois de temporadas que o mostraram como um espírito livre, avesso a convenções e aberto a relações fora do padrão, vê-lo assumir repentinamente o arquétipo do príncipe encantado soa artificial.
Sophie Baek: o verdadeiro coração da temporada
Inegavelmente, a personagem interpretada por Yerin Ha é o grande acerto e destaque de Bridgerton.
A personagem é prática, resiliente e marcada por feridas profundas, o que permite à série explorar, com mais força do que nunca, a desigualdade de classes dentro daquele universo luxuoso.
Ha se integra com naturalidade ao elenco e domina a tela sempre que aparece, sendo impossível não se encantar pela personagem.
Aliás, a atriz entrega uma personagem delicada sem jamais parecer frágil: Sophie é filha bastarda de um lorde, rebaixada à condição de criada pela madrasta Araminta Gun após a morte do pai.
Entre encanto e resiliência, Ha constrói uma protagonista fácil de se conectar, especialmente quando contracena com Thompson, com quem divide uma química convincente e envolvente.
Uma química de milhões

Além disso, a química entre Thompson e Ha funcione tão bem que o casal rouba as cenas sempre que aparecem juntos.
Outro ponto positivo é a forma como a relação entre Benedict e Sophie é desenvolvida.
Com mais tempo e atenção, isso permite que o público acompanhe o nascimento do afeto, os conflitos impostos pela diferença de classes e os desencontros que movimentam a trama.
De fato, um claro acerto após as críticas de que o romance da 3ª temporada teria sido apressado demais.
Por fim, a química entre os dois chega ao ápice quando passa a lidar com conflitos reais, especialmente no momento-chave da Parte 1.
Isto é, a proposta de Benedict para que Sophie se torne sua amante, já que um casamento seria socialmente impossível.
Assim, a recusa dela, fundamentada em sua própria história de exclusão, é um dos pontos mais maduros e bem escritos da temporada.
Tramas paralelas mais equilibradas
Como de costume, Bridgerton se apoia em múltiplos núcleos.
Diferente do ano anterior, as histórias secundárias agora orbitam o casal principal, sem competir diretamente por protagonismo.
Nesse sentido, Colin e Penelope surgem vivendo a nova dinâmica familiar, enquanto a série encontra uma solução criativa para manter Lady Whistledown relevante mesmo após sua identidade ser revelada.
Violet Bridgerton, por sua vez, ganha um arco mais íntimo.
Enquanto Francesca enfrenta os desafios iniciais do casamento, a relação entre Lady Danbury e a Rainha Charlotte se aprofunda de maneira surpreendentemente emocional.
Outro destaque é o maior espaço dado aos criados, trazendo à tona discussões sobre desigualdade, exploração e pertencimento social.
Esses temas dialogam diretamente com a trajetória de Sophie e enriquecem o comentário social que Bridgerton sempre se propôs a fazer.
Um romance inacabado, mas promissor

Do ponto de vista técnico, a série mantém seu alto padrão: figurinos exuberantes, trilha sonora pop em versões orquestrais e uma direção que sabe valorizar o espetáculo visual.
O maior problema não está na história em si, mas na decisão de dividi-la.
A Parte 1, portanto, entrega um romance envolvente, porém interrompido antes de atingir todo o seu potencial.
Resta saber se a Parte 2 conseguirá ajustar o sapatinho de cristal antes que o encanto se quebre de vez.
Ao priorizar o romance sem abandonar suas múltiplas camadas temáticas, a série encontra um equilíbrio que parecia perdido.
Além disso, o gancho deixado no final da Parte 1 aumenta a expectativa para os episódios finais, que estreiam em 26 de fevereiro, e sugere que este pode ser um dos melhores anos da produção até agora.
E você, acha que Bridgerton vai conseguir equilibrar conto de fadas e realidade na continuação?
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Nota da Miss TV:
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