Foto: Netflix
A Netflix entregou um dos melhores presentes de Natal com o volume 2 de Stranger Things.
O fenômeno mundial trouxe três episódios brilhantes e que preparam o terreno para a grande batalha.
Logo, o fim está próximo e não sei se estaremos prontos para o episódio final!
O plano do Vecna
Quem imaginaria que Stranger Things chegaria tão longe?

Imaginar que o sequestro de Will seria apenas o início do plano maligno do grande vilão da série é algo que não poderíamos prever.
Na realidade, desde que o Will foi sequestrado, eu acreditava que seria apenas uma infeliz coincidência.
Ou melhor, ele estava no lugar errado e na hora certa.
No entanto, ao assistir esses três últimos episódios percebi que Vecna sempre tinha um plano; plano este que se iniciou com o sequestro de Will Byers.
E, agora, tudo faz sentido. Ainda mais com a grande descoberta de Dustin.
Buraco de Minhoca
Certamente, o grande ápice desta temporada foi descobrir que Hawkins é o elo entre o Mundo Invertido e o lugar onde Vecna está.
Utilizando ciência e física, Dustin encontrou a explicação perfeita de tudo o que está acontecendo desde que Will foi sequestrado.
A genialidade, contudo, está na explicação do surgimento do Buraco de Minhoca.
Quem poderia supor que tudo o que acreditávamos sobre o Mundo Invertido era mentira?
Narrativamente, o Volume 2 mergulha de vez na mitologia do Mundo Invertido.
Portanto, teorias sobre buracos de minhoca, colmeias, vínculos psíquicos e datas decisivas dominam boa parte do tempo de tela, quase sempre conduzidas por Dustin, Mr. Clark e companhia.
O charme dessa “aula de ciências” continua funcionando e é o que diferencia Stranger Things das outras séries do momento.
Exposição em excesso
Contudo, a série parece, em alguns momentos, desconfiar da capacidade do público de acompanhar conceitos já apresentados ao longo de quatro temporadas.
Diálogos reforçam o que a imagem já deixou claro, sentimentos são verbalizados quando o silêncio bastaria, e isso compromete o ritmo de episódios que já são naturalmente longos.
Mesmo assim, o resultado é algo gratificante. Ainda mais para quem acompanha a série e espera um desfecho.
E vamos ser sinceros: qual o motivo de término entre Nancy e Jonathan?
Personagens se destacam na reta final

É no elenco que Stranger Things volta a brilhar.
Assim, Will Byers finalmente assume um papel central com densidade emocional real, sustentando um arco sensível e essencial para a reta final.
E que cena fantástica com ele lutando contra o Vecna?! Um dos melhores momentos da temporada!
Já Max segue sendo um dos pilares dramáticos da série, equilibrando fragilidade e força mesmo quando o roteiro insiste em revisitar conflitos já conhecidos.
Eleven, por outro lado, aparece mais contida e introspectiva, demonstrando maturidade, ainda que o texto frequentemente a empurre para uma posição menos ativa.
E o que falar de Steve, Dustin, Nancy e Jonathan? Eles continuam carismáticos, mas por vezes parecem girar em uma engrenagem que se move mais por apego emocional do que por necessidade narrativa.
Por fim, temos que falar de Holly Wheeler. A caçula é a maior surpresa desta última temporada. E merece cada minuto de tela.
Holly e Max
Aliás, a dupla mais improvável desta temporada surgiu com Max e Holly.
Duas heroínas presas na mente do Vecna. E eu simplesmente amei como elas se uniram para fugir deste psicopata.
Além disso, é nítido o quanto Holly é a peça chave para o plano de Vecna. Ele precisa de 12 crianças e o tempo está se esgotando.

Infelizmente, ele conseguiu concluir o que desejava. Pelo menos, por ora.
Apesar de Max ter conseguido reencontrar Lucas e a turma, numa das cenas mais bonitas desta leva de episódios, no fundo eu esperava (e torcia) para que Holly conseguisse escapar das mãos do grande vilão.
Pelo menos, pudemos ser contemplados com atuações incríveis e com o belíssimo desfecho da fuga de Camazotz.
Estética impecável
Tecnicamente, a série segue impressionante.
A fotografia sombria, os enquadramentos fechados e o uso preciso de efeitos visuais reforçam o clima de despedida.
Há, portanto, uma clara intenção de dar peso emocional a cada cena.
No entanto, em alguns momentos, a elegância visual parece funcionar como uma cortina bonita escondendo fragilidades estruturais do roteiro.
Ainda assim, o Volume 2 entrega momentos marcantes, referências nostálgicas aos anos 80 e 90.
Além de easter eggs suficientes para render discussões à parte — um prato cheio para os fãs mais atentos.
Preparando o terreno para o desfecho de Stranger Things

Inegavelmente, o Volume 2 da quinta e última temporada de Stranger Things deixa claro que a série sabe exatamente onde quer chegar.
Assim, esse bloco funciona menos como um clímax imediato e mais como um longo corredor narrativo que conduz, com cuidado quase excessivo, ao confronto final contra Vecna.
O retorno de Kali/Eight adiciona camadas interessantes ao passado de Eleven, mas também evidencia um dos problemas recorrentes da temporada: subtramas que mais distraem do que enriquecem.
O mesmo vale para o núcleo militar liderado pela Dra. Kay (Linda Hamilton), pouco desenvolvido e dramaticamente raso.
Independente do resultado, a série se tornou um fenômeno por saber usar a criatividade com o meio nostálgico.
Logo, esse temporada só veio para dar um encerramento digno de toda a história e mostrar que tudo é possível quando se tem amigos.
Uma despedida emocionante
No fim, o Volume 2 não quer ser explosivo. Ele quer preparar.
E cumpre essa função ao posicionar todas as peças no tabuleiro, mesmo que exija mais paciência do espectador do que muitos gostariam neste ponto da jornada.
Stranger Things mostra maturidade ao fugir do óbvio e respeitar seus personagens, mas também revela um medo constante de arriscar.
Quando confia nos atores e na força emocional da história, acerta em cheio.
Quando explica demais e revisita ideias já resolvidas, enfraquece seu impacto.
Mas é quando coloca cenas como Will se assumindo e se aceitando por ser quem é que a série consegue nos emocionar e mostrar o porquê é um fenômeno.
Agora, com apenas um capítulo restante, a pergunta que fica é inevitável: a série terá coragem de arriscar tudo no episódio final e entregar um encerramento à altura de seu legado?
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Nota da Miss TV:
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