Foto: Sony Pictures
Hollywood segue presa ao ciclo interminável de remakes, reboots e continuações, e Anaconda (2025) nasce justamente para brincar com esse fenômeno.
Dirigido por Tom Gormican (O Peso do Talento), o filme abandona qualquer tentativa de terror levado a sério e assume uma abordagem metalinguística.
Isto é, aqui, um grupo de amigos de meia-idade decide refilmar, de forma improvisada, o controverso thriller de 1997.
O resultado? Reviravoltas que passam longe de dar um susto.
Do trash cult à metacomédia hollywoodiana
Lançado originalmente em 1997, Anaconda sempre ocupou um lugar curioso na cultura pop.
Isto é, vendido como terror de criatura, mas eternizado como um daqueles filmes involuntariamente engraçados que o público aprendeu a amar justamente por seus exageros.
A versão de 2025 entende isso desde o primeiro minuto e decide não lutar contra o passado.
Pelo contrário, faz dele sua principal piada.
Nesse sentido, não estamos diante de um reboot tradicional, muito menos de uma tentativa séria de reinventar o horror.
O novo Anaconda é uma comédia autoconsciente que usa a nostalgia como combustível e transforma o próprio ato de refilmar um “clássico trash” em comentário sobre a indústria, a memória afetiva e o esgotamento criativo de Hollywood.
Anaconda: um filme dentro do filme

A trama acompanha Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd), antigos amigos que, na adolescência, filmaram uma versão caseira de Anaconda em VHS.
Décadas depois, atolados em frustrações pessoais e profissionais, eles decidem se reunir com antigos parceiros — incluindo Claire (Thandiwe Newton) e Kenny (Steve Zahn) — para realizar um “remake espiritual” daquela experiência que marcou suas vidas.
O conceito é promissor e, no papel, lembra outras obras que celebram o amor juvenil pelo cinema.
A diferença é que Gormican opta por uma abordagem mais metalinguística, questionando o próprio sentido de reviver algo que talvez funcione melhor apenas na memória.
Humor e uma Amazônia pouco convincente
Aliás, o diretor do longa demonstra sensibilidade para trabalhar a comédia autorreferencial.
Encontrando, assim, momentos genuinamente engraçados ao expor as ambições artísticas infladas de personagens claramente despreparados.
Em vários instantes, Anaconda acerta ao rir de si mesmo e da indústria que o cerca.
No entanto, essa proposta esbarra em limitações evidentes.
Logo, o orçamento enxuto pesa, especialmente na representação da cobra em CGI, que dificilmente convence, e nos cenários que tentam passar por Brasil, mas claramente não são.
A escolha de filmar fora do país compromete a ambientação, algo que salta aos olhos do público brasileiro e enfraquece a imersão.
Selton Mello rouba a cena

Se existe um consenso, ele atende pelo nome de Selton Mello.
O ator brasileiro é, disparado, o grande destaque do filme.
Nesse sentido, seu Carlos Santiago, um criador de cobras carismático e tragicômico, injeta humanidade, timing cômico e identidade própria à narrativa.
Sempre que está em cena, Anaconda encontra seu melhor equilíbrio entre humor absurdo e empatia.
Não por acaso, o longa perde força após sua saída.
Jack Black e Paul Rudd sustentam carisma, mas enfrentam um roteiro irregular, com piadas repetidas e personagens que raramente evoluem.
Por outro lado, Steve Zahn até arranca risadas pontuais, enquanto Thandiwe Newton e Daniela Melchior acabam subaproveitadas.
Homenagem
O roteiro oscila constantemente entre reverência e deboche.
Em alguns momentos, essa mistura funciona muito bem, criando uma comédia despretensiosa que abraça o próprio absurdo.
Em outros, o ritmo se perde, e certas cenas parecem existir apenas para ligar uma piada à outra.
Como terror, Anaconda é inofensivo.
Como aventura, é irregular.
Mas como comentário sobre refilmagens, nostalgia e a dificuldade de reviver o passado, encontra sua razão de existir.
Portanto, o filme sabe que não tem “presas” afiadas e aceita isso sem culpa.
Vale a picada? Ou seja, o ingresso?

Anaconda (2025) não quer ser levado a sério, nem deveria.
Nesse sentido, seu maior mérito está em assumir o rótulo de comédia autoconsciente, sustentada pelo carisma do elenco e pela disposição de rir de si mesma.
O longa diverte quando abraça o nonsense e assume seu DNA de filme B consciente de suas próprias falhas.
Não é uma homenagem elegante ao original, tampouco uma comédia brilhante do início ao fim.
Contudo encontra valor no caos, na nostalgia e na celebração do ato de criar algo com amigos, mesmo que tudo dê errado no caminho.
No fim, Anaconda (2025) justifica sua existência mais pelo carisma de Selton Mello e pela proposta metalinguística do que pelo resultado final.
Portanto, podemos dizer que é um filme irregular que oscila entre a sátira inteligente e a sensação de que poderia ter ido muito além.
E você acredita que Selton Mello fez toda a diferença no filme?
Anaconda (2025) estreia oficialmente dia 25 de dezembro nos primeiros cinemas do país!
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Nota da Miss TV:
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