Foto: Getty Images
A movimentação no mercado de entretenimento ganhou força com a decisão da Warner Bros. Discovery (WBD) de abrir um processo de venda que promete reconfigurar Hollywood.
Menos de cinco anos após sua fusão com a Discovery, o conglomerado está oficialmente aberto a propostas de compra.
O que reacendeu disputas entre gigantes do streaming e levou inúmeras dúvidas sobre os rumos do cinema mundial.
O início da corrida

De acordo com novas informações divulgadas pelo Wall Street Journal, a Warner Bros. Discovery iniciou formalmente seu processo de venda.
Permitindo, assim, que os interessados apresentem propostas não vinculativas até 20 de novembro.
Três potenciais compradores — Paramount Skydance, Netflix e Comcast — já articulam suas propostas enquanto o conselho da companhia avalia o que pode ser a maior transação midiática do ano.
A intenção é encerrar o processo ainda em 2025.
“O conselho será forçado a aceitar a oferta que gerar o maior retorno possível aos acionistas”, destacou uma fonte ligada às negociações.
Os novos planos para a Warner Bros. Discovery
De fato, cada uma das três empresas têm estratégias e objetivos distintos.
Enquanto Netflix e Comcast miram principalmente os braços de cinema e televisão do grupo, incluindo o HBO Max, a Paramount estaria inclinada a adquirir o conglomerado completo.
A empresa, inclusive, já teria feito ofertas anteriores, rejeitadas por serem consideradas baixas.
Além disso, tanto a Netflix quanto a Comcast demonstraram pouco interesse em canais tradicionais como CNN e Discovery Channel.
O plano da Paramount Skydance
A Paramount Skydance, liderada por David Ellison, surge como uma das principais interessadas — e a única disposta a adquirir a companhia inteira.
A família Ellison, especialmente o bilionário Larry Ellison, está totalmente engajada na possível aquisição, apoiada por investimentos da RedBird Capital.
Assim, a proposta promete unir grandes estúdios sob o mesmo guarda-chuva, criando uma potência global capaz de competir de igual para igual com Disney e Netflix.
Ainda assim, Ellison vem adotando uma postura cautelosa.
“Não temos obrigação de fechar negócio. Avaliamos sempre o que vale mais a pena: comprar ou construir”, afirmou Ellison em conferência com investidores.
Os desafios regulatórios existem, mas a empresa defende que a fusão criaria um concorrente mais robusto, não um monopólio.
Netflix mira a Warner Bros. para expandir seu império
Com valor de mercado superior a US$ 470 bilhões e mais de US$ 9 bilhões em caixa, a Netflix tem recursos para apresentar uma oferta sólida e, ao mesmo tempo, atrair atenção do governo americano por questões antitruste.
A gigante do streaming vê na aquisição da Warner Bros., de sua biblioteca monumental e do serviço HBO Max, uma oportunidade rara de crescimento acelerado.
No entanto, a compra colocaria o estúdio sob a liderança de uma empresa historicamente avessa ao modelo tradicional de lançamentos nos cinemas, o que preocupa distribuidores.
O congressista Darrell Issa já levantou alerta sobre uma possível concentração de mercado:
“Com mais de 300 milhões de assinantes, a Netflix já exerce um poder sem precedentes”, escreveu o parlamentar em carta pública.
Além disso, há dúvidas internas sobre como integrar a cultura e os processos da Warner à estrutura da empresa.
Comcast aposta em sinergias
A Comcast também articula uma proposta, apesar do momento delicado de suas ações, que estão em um dos níveis mais baixos dos últimos 14 anos.
A empresa vê sinergias claras: unir HBO Max e Peacock, e integrar Universal e Warner Bros.sob o mesmo estúdio.
Contudo, os executivos Brian Roberts e Mike Cavanagh não pretendem assumir todos os ativos — especialmente as redes de TV a cabo, como CNN, TNT e HGTV.
Além disso, a resistência política pode ser um obstáculo.
Donald Trump, que já criticou duramente a MSNBC (agora MS NOW), demonstraria incômodo com a crescente influência da Comcast, o que analistas acreditam poder comprometer a aprovação do negócio.
Há ainda um cenário alternativo circulando nos bastidores: a Netflix assumiria o estúdio Warner Bros., enquanto a Comcast ficaria com o HBO Max.
Entretanto, especialistas alertam que esse modelo seria extremamente complexo e enfrentaria barreiras regulatórias significativas.
Um futuro incerto
Embora essas três gigantes estejam mais próximas de adquirir a Warner Bros. Discovery, a lista de potenciais compradores não para por aí.
Afinal, Apple e Amazon também estão no páreo.
Por ora, nenhuma decisão concreta foi tomada.
Contudo o conselho da Warner Bros. Discovery confirmou que avalia opções que vão desde concluir a separação entre Warner Bros. e Discovery Global — prevista para meados de 2026 — até vender partes independentes da companhia ou todo o conglomerado de uma só vez.
Um estúdio em transição e ainda criativo
Apesar das inúmeras polêmicas envolvendo decisões corporativas recentes, como lançamentos simultâneos em streaming durante a pandemia, é inegável que a gestão comandada por David Zaslav conseguiu impulsionar a empresa tanto financeiramente quanto criativamente.
Foi neste período que a Warner lançou fenômenos como Barbie (2023) e Um Filme Minecraft (2025), além de continuar a investir em cineastas renomados.

Neste ano, estrearam títulos como Mickey 17, de Bong Joon Ho, Pecadores, de Ryan Coogler, A Hora do Mal, de Zach Cregger, e Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson.
Logo, obras que reforçam a tradição do estúdio em apoiar diretores autorais.
Outro destaque é o trabalho de James Gunn à frente do novo DC Studios.
Mesmo com a recepção moderada de Superman (2025), Gunn mantém liberdade criativa e segue desenvolvendo o novo DCU.
Mas sua preocupação com a possível venda do estúdio já veio a público, especialmente quanto ao futuro do universo que está construindo.
E o que quer David Zaslav?
No centro dessas disputas está David Zaslav, CEO da WBD, cuja prioridade é maximizar o valor dos ativos.
Isto é, seja por meio da venda ou por uma reorganização interna.
Uma das alternativas já avaliadas seria dividir a empresa em duas: Warner Bros. (estúdios e Max) sob liderança de Zaslav, e Discovery sob Gunnar Wiedenfels.
Como resumiu um executivo próximo:
“Zaslav quer a maior coroa possível — o portfólio mais valioso. Este leilão pode ser apenas uma forma de aumentar o preço.”
O que uma possível venda pode significar para Hollywood?

Mudanças de controle não são raras na história da Warner.
Assim, basta lembrar a aquisição pela AOL nos anos 2000.
Mas, em 2025, o cenário é diferente.
O mercado audiovisual vive uma onda de consolidações que vem estreitando o leque de grandes players.
Ou seja, Disney absorveu a Lucasfilm, a Marvel e a 20th Century Fox; recentemente, a Skydance assumiu controle da Paramount.
Agora, o destino da Warner pode redefinir novamente a balança de poder em Hollywood.
Entre os prováveis compradores, a Apple parece ser vista como uma opção “mais segura”, considerando seu histórico no Apple TV+: investimentos generosos, interesse em produções prestigiadas e colaborações com nomes como Martin Scorsese.
Já outros candidatos podem priorizar estratégias puramente financeiras, arriscando a diversidade criativa que ainda marca o estúdio.
E agora, José?
Independente de quem vencer essa corrida bilionária, o resultado deve impactar profundamente a indústria audiovisual.
Em um cenário de conglomerados cada vez mais inflados, cresce o debate sobre a perda de competição — um pilar essencial para a inovação artística e tecnológica.
Hollywood segue girando conforme o som do caixa.
E, dessa vez, o que está em jogo é simplesmente um dos maiores estúdios da história do cinema.
Afinal, com tantas jogadas estratégicas e interesses em jogo, o futuro da Warner Bros. Discovery segue aberto e cada lance promete redesenhar os rumos de Hollywood.
E para você, quem deveria assumir o controle da Warner Bros. Discovery?
Não esqueça de seguir a Miss TV nas redes sociais para acompanhar todas as novidades de Hollywood!
Descubra mais sobre Miss TV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
