Foto: Paris Filmes/Divulgação
Em meio a tantos filmes de casa mal-assombrada e sustos previsíveis, Bom Menino surge como uma das surpresas mais inventivas do terror contemporâneo.
Dirigido por Ben Leonberg, o longa de 73 minutos parte de uma premissa simples, mas ousada.
Isto é, contar uma história sobrenatural pelo ponto de vista de um cachorro.
O resultado é uma experiência sensorial e emocional que desafia o público a enxergar o medo sob uma nova perspectiva: a da lealdade incondicional.
Um olhar canino sobre o medo

Nem todo filme de terror precisa de monstros visíveis para causar desconforto.
E é justamente isso que faz Bom Menino (Good Boy, no original).
A trama acompanha Todd (Shane Jensen), um homem em recuperação de uma doença pulmonar que se muda para a antiga casa de campo da família ao lado de seu fiel companheiro, Indy, um retriever da Nova Escócia.
O que parecia ser um recomeço logo se transforma em um pesadelo silencioso, quando presenças sombrias e memórias do passado começam a atormentar a dupla.
A partir daí, o longa mostra que nem tudo é o que parece.
Afinal, o local carrega segredos e uma presença sobrenatural que apenas Indy parece perceber.
Aliás, o terror se desenrola com base nas reações, medos e instintos do cão e é justamente aí que o filme encontra seu diferencial.
Terror em quatro patas
A escolha de narrar os acontecimentos pela perspectiva de Indy é o ponto mais ousado do filme.
Nesse sentido, a câmera se mantém na altura do cachorro, criando uma sensação de vulnerabilidade constante.
Cada corredor escuro, cada ruído distante e cada sombra que se move no fundo do quadro se tornam ameaças palpáveis.
Logo, Leonberg transforma o familiar em algo sinistro.
E o espectador passa a enxergar o terror como um animal o veria: confuso, instintivo e inevitável.
Por fim, vale a pena ressaltar que Indy não é apenas um coadjuvante de luxo, mas sim o verdadeiro protagonista de Bom Menino.
Bom Menino: O Terror que Vem da Tristeza

O horror em Bom Menino não nasce do susto fácil, mas da melancolia.
Assim, Leonberg transforma o sobrenatural em metáfora para a doença, a finitude e o medo da perda.
O verdadeiro terror não é o que habita a casa, mas o que se manifesta dentro de Todd.
Isto é, a deterioração física e emocional de alguém que sabe que está se despedindo.
Indy observa tudo com uma mistura de amor, confusão e coragem, permanecendo ao lado do dono mesmo quando o mal se aproxima.
Além disso, a atmosfera do filme é densa, reforçada por uma fotografia fria e sombria que dá vida própria à casa.
Os ruídos de passos, o som do vento e o rosnado de Indy constroem um ambiente sufocante, onde o invisível é sempre mais assustador do que o que se mostra.
A força de Indy e a fraqueza do roteiro
Se há um verdadeiro destaque aqui, ele atende pelo nome de Indy.
O trabalho de treinamento e captação das emoções do cão é impressionante.
O animal transmite medo, curiosidade e afeto de maneira surpreendentemente genuína.
É graças a ele, aliás, que o filme mantém o público engajado, mesmo quando o roteiro não ajuda.
Falando no roteiro, ele é minimalista e isso não seria um problema se a repetição de situações não pesasse tanto.
As aparições sobrenaturais são previsíveis, os sustos são construídos com os mesmos recursos e, em boa parte do tempo, pouco acontece.
Com 73 minutos, o filme é curto, mas seu ritmo arrastado pode dar a sensação oposta.
É como se o diretor tivesse uma ótima ideia nas mãos, mas não soubesse muito bem o que fazer com ela.
Uma fábula sobre lealdade e solidão

Mais do que um filme de terror, Bom Menino é uma história sobre vínculo e fidelidade.
Desta forma, podemos afirmar que é sobre o que resta quando tudo o mais desaparece.
Ou seja, quando os fantasmas vão embora, mas a saudade e a devoção permanecem.
Mesmo com um roteiro simples e por vezes repetitivo, Leonberg entrega uma experiência única, sensível e profundamente humana, ainda que narrada por um olhar animal.
O filme em si
Bom Menino não é um grande filme de terror e talvez nem queira ser.
Ele falha em assustar de verdade, mas conquista por sua originalidade e sensibilidade.
Além disso, Indy se torna um símbolo da pureza em meio ao horror.
Sua presença lembra que, mesmo nas trevas, a lealdade e o afeto são o que realmente nos mantêm vivos.
Enfim, Bom Menino é uma joia rara do terror moderno.
Isto é, um filme pequeno em escala, mas imenso em sensibilidade.
Ao misturar técnica, emoção e uma narrativa corajosa, Ben Leonberg transforma um experimento cinematográfico em uma das obras mais tocantes e criativas do gênero nos últimos anos.
E você conseguiria encarar seus maiores medos pelos olhos de quem mais ama?
Bom Menino está em cartaz nos principais cinemas do país!
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Nota da Miss TV:
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