Foto: HBO Max/Divulgação
A HBO Max mergulha mais uma vez no universo sombrio de Stephen King com It: Bem-Vindos a Derry.
Assim, a série expande o legado de It: A Coisa (2017) e It: Capítulo Dois (2019).
Além de explorar o passado sombrio da cidade mais amaldiçoada do Maine
O mal acorda novamente em Derry
Com produção de Andy Muschietti — diretor dos filmes de 2017 e 2019 — e o retorno de Bill Skarsgård como o temido Pennywise, o prelúdio mergulha nos anos 1960 para contar a gênese do mal que assombra gerações.
Diferente das produções anteriores, Bem-Vindos a Derry aposta em um terror ainda mais visceral.
Ou seja, o sangue corre solto, e a atmosfera de pavor é constante.
O resultado é uma combinação intensa de nostalgia e novidade: revisitar Derry nunca foi tão assustador.
Uma nova geração em meio ao caos

Logo em seu episódio de estreia, a série deixa claro que Derry continua sendo um dos lugares mais perturbadores da ficção.
Aliás, a trama se divide entre dois núcleos.
De um lado temos um grupo de jovens que tenta desvendar o desaparecimento de um amigo.
Do outro, uma família negra recém-chegada à cidade, que enfrenta tanto o racismo estrutural quanto a presença de um mal invisível.
O episódio piloto surpreende com uma virada brutal: praticamente todo o grupo de protagonistas é eliminado logo de início.
Nesse sentido, é uma quebra de expectativas que redefine a estrutura clássica de “crianças enfrentando o monstro”, abrindo espaço para um terror mais psicológico, imprevisível e cruel.
Mesmo sem aparecer com frequência, Pennywise domina cada cena.
O palhaço é mais uma presença simbólica do que física.
Portanto, o medo atua nas sombras, nas ilusões e nas mentes das vítimas.
Entre monstros e monstros humanos
Enquanto o medo sobrenatural se espalha, a série também revela o horror humano por trás da cidade.
Leroy Hanlon (Jovan Adepo), piloto da Força Aérea, muda-se para Derry com sua esposa Charlotte (Taylour Paige) e o filho Will (Blake Cameron James).
Ali, eles enfrentam o racismo e a hostilidade de vizinhos e colegas militares, ao mesmo tempo em que percebem que há algo muito mais sombrio em curso.

Aliás, a trama militar, que envolve um suposto “Projeto Especial” da Força Aérea, insinua que o governo pode ter interesse na energia sobrenatural que paira sobre a cidade.
Essa conexão entre o terror cósmico de King e o contexto político da Guerra Fria dá à série um peso temático inesperado.
Isto é, o mal em Derry não é apenas um palhaço, mas um reflexo das estruturas de poder e da apatia coletiva.
Charlotte, por sua vez, é o olhar humano da história.
Em uma das cenas mais impactantes, ela presencia uma criança sendo agredida enquanto os adultos observam sem reagir.
Essa indiferença resume um dos temas centrais do universo de King: o verdadeiro horror está na omissão.
It: Bem-Vindos a Derry é o grande acerto da HBO Max
Visualmente sofisticada e de atmosfera sufocante, It: Bem-Vindos a Derry é uma das produções mais ambiciosas já baseadas na obra de Stephen King.
O terror aqui é construído com inteligência.
Ou seja, há sustos, mas também há desconforto, reflexão e um senso constante de que algo terrivelmente errado está à espreita.
Além disso, a produção da HBO Max é mais sangrenta que seus predecessores, com cenas de violência gráfica e uma estética que não poupa o espectador.
No entanto, a série também é inteligente ao construir a tensão. O horror aqui é tanto físico quanto emocional.
Um elenco à altura

E o que falar do elenco?
O elenco infantil, formado por jovens talentosos como Clara Stack, Amanda Christine e Mikkal Karim-Fidler, entrega atuações convincentes que equilibram vulnerabilidade e coragem.
Já Bill Skarsgård continua hipnótico como Pennywise.
Mesmo quando o monstro mal dá as caras, o ator reafirma por que seu Pennywise é um dos monstros mais icônicos do século.
Referências e conexões com o universo de Stephen King
Certamente, o primeiro episódio é um verdadeiro banquete de referências para os fãs do “Kingverso”.
Entre os easter eggs, destacam-se a presença do Major Hanlon (possível parente de Mike Hanlon, de It: A Coisa) e a participação de Dick Hallorann (O Iluminado).
Além de menções ao hospital psiquiátrico Juniper Hill, cenário recorrente nas obras do autor.
Há também símbolos icônicos, como a estátua de Paul Bunyan e a figura da tartaruga — representação da entidade cósmica Maturin, inimiga ancestral de Pennywise.
Até mesmo HQs do Batman e Flash aparecem nas mãos das crianças, em uma piscadela divertida ao diretor Andy Muschietti, que recentemente comandou The Flash (2023).
Logo, esses detalhes enriquecem a narrativa e reforçam a ideia de que o universo de Stephen King é mais interligado do que parece.
Um prelúdio ousado e promissor
It: Bem-Vindos a Derry é um acerto poderoso da HBO Max.
Ou seja, é uma série intensa, assustadora e emocionalmente rica.
A produção honra o legado de Stephen King e ainda encontra espaço para novas camadas de horror.
É um retorno triunfante à cidade que nunca deixa de devorar suas vítimas.
Portanto, um lembrete de que o verdadeiro horror não mora apenas em um palhaço, mas nas feridas profundas de uma comunidade amaldiçoada.
E você, teria coragem de visitar Derry e encarar Pennywise novamente?
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Nota do Episódio:
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