Foto: Netflix/Divulgação
Guillermo del Toro sempre foi um cineasta fascinado pelos monstros. E, agora, com Frankenstein ele finalmente concretiza um de seus maiores desejos.
Assim, o cineasta mexicano transforma o clássico de Mary Shelley em uma ópera gótica de emoções e angústias.
Isto é, que costura fantasia, tragédia e humanidade com a precisão de quem entende que o verdadeiro horror não está nas cicatrizes da carne, mas nas feridas da alma.
Um sonho de vinte anos ganha vida

Depois de duas décadas de planos, tentativas e rascunhos, del Toro fez a sua versão de Frankenstein.
A obra, produzida pela Netflix, reafirma o diretor como um artista que enxerga beleza no que é rejeitado, ternura no que é imperfeito e humanidade no que é temido.
E o resultado é uma obra grandiosa, intensa e profundamente pessoal.
Ou seja, uma fábula gótica sobre paternidade, obsessão e o peso do legado emocional que pais deixam aos filhos.
Visualmente deslumbrante e emocionalmente devastador, Frankenstein não é apenas mais uma releitura do mito.
É um filme que carrega a alma de seu criador: belo e monstruoso, sublime e trágico, vivo e imperfeito.
O criador e sua criatura
No longa, Victor Frankenstein (Oscar Isaac) é um cientista genial e egocêntrico que, incapaz de lidar com o luto pela mãe, tenta desafiar a morte criando vida a partir da morte.
Nesse sentido, ele acaba dando forma ao seu próprio castigo.
A criatura, interpretada com profunda delicadeza por Jacob Elordi, é o espelho da alma ferida do criador.
Isto é, um ser que busca amor, mas nasce condenado à rejeição.
Logo, ao ganhar consciência, o monstro busca amor, compreensão e, acima de tudo, um sentido para a própria dor.
O Frankenstein de Guilherme del Toro

Inegavelmente, Del Toro mantém a essência do romance de Shelley, mas desloca o foco do terror físico para o horror da rejeição.
Assim, o verdadeiro monstro não é aquele feito de cadáveres, mas o homem incapaz de lidar com a própria culpa.
A narrativa se transforma, então, em uma parábola sobre o ciclo da dor, da violência e da falta de empatia — temas que o diretor já explorou em obras como O Labirinto do Fauno e A Forma da Água.
Aliás, o diretor inverte a lógica da narrativa original da história ao colocar a criatura como o verdadeiro coração do filme.
Portanto, é o personagem de Elordi quem narra, sente e busca redenção, enquanto o criador se perde entre culpa e soberba.
Um espetáculo visual e emocional
Visualmente, Frankenstein é um deslumbre.
A fotografia de Dan Laustsen e os figurinos de Kate Hawley mergulham no romantismo gótico que sempre caracterizou a filmografia de del Toro.
Assim, cada cenário — repleto de sombras, velas e decadência — parece pulsar entre a vida e a morte.
Já a trilha sonora de Alexandre Desplat completa a experiência, conduzindo o espectador por uma jornada melancólica sobre fé, culpa e redenção.
Enfim, os cenários, os figurinos e a direção de arte dialogam com o romantismo gótico do século XIX, evocando pinturas, catedrais e laboratórios que respiram dor e desejo.
Atuações marcantes

De fato, o elenco brilha, ainda que nem todos tenham o mesmo destaque.
Oscar Isaac entrega um Victor movido por obsessão e vaidade, enquanto Mia Goth interpreta uma Elizabeth que oscila entre a devoção e o desencanto.
Christoph Waltz, sempre preciso, surge como o mecenas do projeto científico que conduz à tragédia.
No entanto, é Jacob Elordi quem domina o filme.
Seu desempenho é hipnotizante — um misto de fragilidade e fúria, de anjo e fera — que transforma a Criatura em um símbolo de pureza e perdão.
E vamos além: provavelmente ele será indicado ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Ator de maneira merecida!
Frankenstein: A beleza do imperfeito
A obra é uma produção impecável. E a caracterização da criatura é simplesmente perfeita.
Isto é, A criatura, redesenhada por Mike Hill, foge dos clichês do rosto verde e dos parafusos.
É um ser perturbadoramente humano, resultado de um realismo quase anatômico.
Vale a pena relembrar que Jacob Elordi passou por longas horas de maquiagem para encarnar um corpo que é mosaico de outros corpos; uma raridade nos dias atuais com a entrada de CGI.
Embora a história já tenha sido contada inúmeras vezes, o que diferencia Frankenstein de del Toro é sua sinceridade emocional.
Assim, o cineasta não busca reinventar Shelley, mas revisitar seu mito sob a ótica do amor.
O filme em si
Frankenstein é, talvez, o trabalho mais pessoal de Guillermo del Toro desde A Forma da Água.
Logo, o cineasta transforma o clássico de Mary Shelley em um espelho de sua própria arte.
Isto é, uma criatura feita de partes conhecidas, animada por um coração pulsante de humanidade.
Em tempos de cinismo e distanciamento, o longa surge como um lembrete do poder da empatia.
É uma fábula sombria, dolorosa e deslumbrante sobre o que significa criar, amar e perder.
Um filme em que o monstro é o mais humano de todos, e o homem, o mais monstruoso.
E você, acredita que o verdadeiro monstro é quem cria… ou quem é criado?
Frankenstein está em cartaz nos principais cinemas do país e estreará em 7 de novembro, no catálogo da Netflix.
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Nota da Miss TV:
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