Foto: Universal Pictures/Divulgação
O Telefone Preto 2 é uma continuação que soa como um eco.
Ou seja, não apenas do sucesso de 2022, mas também do próprio trauma que sustenta sua narrativa.
Dirigido novamente por Scott Derrickson, o longa revisita o universo do Sequestrador (Ethan Hawke) com uma atmosfera mais sobrenatural e introspectiva.
Assim, o longa troca o susto gratuito por reflexões sobre luto, culpa e redenção.
Um retorno ousado ao universo do terror

Três anos depois do sucesso inesperado de O Telefone Preto, Derrickson retorna com uma sequência que não se contenta em repetir a fórmula.
Assim, O Telefone Preto 2 é uma continuação mais ambiciosa e introspectiva, que transforma o trauma em espetáculo psicológico e leva o horror sobrenatural a novos territórios: gelados, oníricos e perturbadores.
A história se passa quatro anos após os eventos do primeiro filme.
Finney Shaw (Mason Thames) tenta retomar a vida após sobreviver ao terrível sequestro que o marcou para sempre.
O problema é que o passado não ficou enterrado, pois sua irmã, Gwen (Madeleine McGraw), começa a ter sonhos perturbadores sobre um acampamento misterioso ligado à história de sua família.
Juntos, os dois acabam presos em um lugar tomado por presenças espirituais e pelo retorno fantasmagórico do próprio Sequestrador, agora mais monstruoso do que nunca.
Quando o pesadelo volta a tocar
As visões de Gwen a levam a um acampamento remoto chamado Alpine Lake, antigo local de trabalho de sua falecida mãe.
Ao lado de Finney e do namorado Ernesto (Miguel Mora), ela parte em busca de respostas.
No entanto, o que encontra é algo muito pior: o retorno do Grabber, agora em uma forma sobrenatural que transcende a morte.
Derrickson, assim, transforma o vilão em uma espécie de Freddy Krueger moderno — um fantasma que ataca através dos sonhos e manipula a culpa e o medo de suas vítimas.
É o tipo de terror que mistura o real e o imaginário, o trauma e o pesadelo, fazendo o espectador duvidar de tudo o que vê.
O resultado é uma experiência que lembra os clássicos A Hora do Pesadelo e O Iluminado, mas com identidade própria.
Portanto, o diretor domina o ritmo e a ambientação, construindo tensão a partir do silêncio, do frio e das paisagens cobertas de neve que parecem tão ameaçadoras quanto o próprio vilão.
O Telefone Preto 2: uma sequência marcada por ecos do terror clássico

Se o primeiro filme explorava a sobrevivência em meio à brutalidade, O Telefone Preto 2 mergulha nas cicatrizes deixadas por essa experiência.
Nesse sentido, Finney, marcado pelo medo, reage com violência e isolamento; Gwen, por outro lado, tenta transformar seu dom psíquico em empatia.
Essa dualidade entre fuga e enfrentamento dá ao filme um tom quase espiritual, com elementos que flertam com a teologia e a culpa católica.
Visualmente, o longa é um deleite.
Ou seja, a fotografia granulada e o uso de filmagens em Super 8 reforçam a estética nostálgica dos anos 1980 — época em que se passa a história — e evocam clássicos como A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13.
Por fim, o design de som, propositalmente áspero e incômodo, faz com que o medo surja mais da lembrança do que do susto.
Entre fé, trauma e redenção
Certamente, o grande mérito da continuação está em como transforma o terror em metáfora.
Gwen é o elo entre o sobrenatural e o humano, dividida entre fé e desespero, enquanto tenta compreender o sentido de seus dons e das vozes que a atormentam.
O telefone que insiste em tocar é mais do que um símbolo de horror; é o eco de traumas que nunca foram superados.
Além disso, o roteiro de C. Robert Cargill acerta ao explorar a dor e a culpa dos personagens, ainda que peque por excesso de subtramas.
Há momentos em que a narrativa se dispersa em explicações desnecessárias, mas a força emocional compensa.
Cada olhar, cada silêncio e cada toque de telefone carregam um peso simbólico que reforça o tema central.
Isto é, o medo não morre com o monstro, ele permanece dentro das pessoas.
Uma nova protagonista
Se no original Finney era o centro do horror, aqui o protagonismo muda de mãos.
Ou seja, Gwen assume a linha de frente da trama, ganhando mais espaço e profundidade.
Aliás, Madeleine McGraw entrega uma performance magnética — ao mesmo tempo corajosa, divertida e vulnerável —, consolidando sua personagem como o coração emocional da história.
Já o Sequestrador de Ethan Hawke retorna em uma forma espectral, reforçando sua aura de lenda urbana.
O problema é que, ao transportá-lo para o mundo dos sonhos, Derrickson o aproxima demais de Freddy Krueger — tanto em visual quanto em funcionamento narrativo.
O resultado é um vilão ainda ameaçador, mas menos original, preso à sombra de um ícone do passado.
O Telefone Preto 2: Um novo mito do terror contemporâneo

Podemos dizer que O Telefone Preto 2 não é apenas uma continuação eficiente; é uma reinvenção corajosa.
Nesse sentido, Derrickson expande o universo original com ambição, misturando horror sobrenatural, drama familiar e simbologia religiosa sem medo de arriscar.
O resultado é um filme visualmente impressionante, emocionalmente denso e assustador na medida certa.
Há momentos de exposição excessiva, sim, mas o clímax no lago congelado — um verdadeiro espetáculo de horror e poesia visual — compensa cada tropeço.
No fim, a sequência transforma o Grabber em um novo ícone do terror moderno e prova que o gênero ainda tem espaço para criatividade e emoção genuína.
Vale a pena atender ao telefone?
Sim — e com atenção total.
O Telefone Preto 2 é o tipo de sequência que honra o original e ousa ir além.
É um pesadelo gelado, cheio de fé, medo e memórias que insistem em voltar.
Afinal, alguns ecos do passado nunca deixam de chamar.
Enfim, O Telefone Preto 2 tenta expandir o universo do primeiro filme sem perder sua identidade.
Ao fazer isso, no entanto, cai em algumas repetições e simplificações.
A ameaça sobrenatural cresce, os sustos se multiplicam, mas o senso de perigo diminui — especialmente no ato final, quando tudo se resolve de maneira previsível.
Ainda assim, há mérito na tentativa de transformar o terror em metáfora para o trauma e de revisitar o medo com uma linguagem mais melancólica do que chocante.
E você, atenderia o telefone mais uma vez?
O Telefone Preto 2 está em cartaz nos principais cinemas do país!
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