Foto: Netflix/Divulgação
A Netflix aposta mais uma vez no charme dos doramas com Amor Enrolado (Love Untangled, 2025), dirigido por Sun Namkoong.
Nesse sentido, o longa, ambientado na Busan de 1998, mistura romance adolescente, nostalgia dos anos 90 e reflexões sobre identidade e aceitação.
O resultado? O mais novo sucesso do streaming entrega uma comédia romântica que vai além dos clichês do gênero.
Uma viagem ao fim dos anos 90

Ambientado em 1998, Amor Enrolado nos transporta para a adolescência de Park Se-ri (Shin Eun-soo)
Isto é, uma jovem que acredita que seus cachos indomáveis são o maior obstáculo para se declarar ao garoto mais popular da escola, Kim Hyeon (Cha Woo-min).
Sua rotina muda quando conhece Han Yoon-seok (Gong Myung), um estudante transferido de Seul que, a princípio, parece distante, mas guarda segredos e uma sensibilidade inesperada.
Assim, entre fitas cassete, câmeras analógicas, pagers e uniformes largos, o filme constrói um retrato nostálgico e cheio de charme de uma juventude que sonhava sem a pressão das redes sociais.
Essa ambientação, aliás, não serve apenas como pano de fundo estético.
Logo, ela dá espaço para que a narrativa explore, com delicadeza, ansiedades universais da adolescência, como a busca pela aceitação e a coragem de ser vulnerável.
Uma protagonista em busca de aceitação
Certamente a protagonista Park Se-ri é o coração de Amor Enrolado.
Mais do que uma simples comédia romântica escolar, o filme aposta em personagens carismáticos e relacionáveis.
Assim, Se-ri e Yoon-seok, aos poucos, desenvolvem uma química genuína que vai além da típica “Operação Amor” planejada pelos amigos para uma confissão perfeita.
Aqui, o que importa não é apenas conquistar alguém, mas descobrir a si mesmo no processo.
O cabelo crespo de Se-ri funciona como metáfora central.
Ou seja, um símbolo daquilo que não se encaixa nos padrões sociais e que, por isso, precisa ser enfrentado e aceito.
Logo, o romance se transforma em uma jornada de amadurecimento e autodescoberta, em que a protagonista entende que não é necessário mudar para ser amada.
Nostalgia dos anos 90 em Amor Enrolado

Temos triângulo amoroso?
Sim. No entanto, o que poderia ser apenas mais um triângulo amoroso adolescente se torna um retrato delicado das inseguranças da juventude.
Nesse sentido, Se-ri e Yoon-seok, em especial, encontram no outro um reflexo das próprias fragilidades, construindo um vínculo feito de olhares, silêncios e pequenos gestos.
Além disso, a ambientação em Busan nos anos 90 é parte fundamental da narrativa.
Telefones fixos, fitas cassete, câmeras descartáveis e o dialeto regional ajudam a criar uma atmosfera que reforça o tom introspectivo da trama.
Sem redes sociais ou mensagens instantâneas, os sentimentos dependem de encontros casuais e conversas presenciais.
E isso dá ao filme um ritmo mais paciente e intimista.
O cabelo de Se-ri, por fim, funciona como metáfora universal para a autoaceitação, mas também como comentário sobre padrões de beleza e pressões sociais, especialmente fortes para adolescentes em transição.
Direção, ritmo e impacto
Sob a direção de Namkoong Sun — conhecida por trabalhos independentes mais densos — o filme ganha camadas além da leveza do gênero.
A diretora equilibra humor e emoção, recusando-se a tratar as inseguranças adolescentes como futilidades.
Pelo contrário, dá a elas a devida importância, mostrando que até pequenas confissões carregam um peso emocional enorme.
O ritmo fragmentado pode soar irregular em alguns momentos, mas é compensado pelo magnetismo do elenco e pela atmosfera aconchegante.
Portanto, Amor Enrolado não se apoia na nostalgia como muleta, mas a utiliza como ferramenta para criar um espaço seguro e afetivo onde questões de identidade, amor-próprio e amadurecimento podem florescer.
Amor Enrolado: atuações convincentes

Inegavelmente, o elenco jovem é um dos maiores trunfos do longa.
Shin Eun-soo entrega uma protagonista cativante, dividida entre insegurança e desejo de mudança.
Já Gong Myoung, com seu ar introspectivo, dá peso ao silencioso Yoon-seok, enquanto Cha Woo-min cumpre bem o papel de galã colegial.
Os coadjuvantes, ainda que menos desenvolvidos, acrescentam humor e apoio emocional ao enredo.
E o que falar das participações especiais?
Gong Yoo e Jung Yu-mi funcionam como um presente nostálgico para os fãs do cinema coreano.
Um romance com algo a mais
Disponível globalmente na Netflix, Amor Enrolado é mais do que um romance adolescente sobre cachos rebeldes e paixões de escola; é uma celebração da coragem de se expor, do poder da vulnerabilidade e da importância de se aceitar exatamente como se é.
O longa se destaca pela química do casal principal, pela atmosfera nostálgica e pela mensagem de autoaceitação.
Contudo, o roteiro não escapa de convenções típicas das rom-coms adolescentes, com algumas subtramas pouco exploradas e um final previsível que pode soar açucarado demais para quem busca inovação.
Ainda assim, Amor Enrolado equilibra bem leveza e sensibilidade, oferecendo tanto momentos fofos quanto reflexões sobre crescimento e identidade.
Para fãs de doramas e histórias colegiais, é uma escolha certeira, afinal, ele diverte, emociona e, mesmo sem reinventar o gênero, entrega uma experiência acolhedora.
E você, está pronto para se encantar com essa mistura de romance e nostalgia coreana?
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