Foto: 20th Century Studios/Divulgação
Os Roses: Até Que a Morte os Separe traz de volta a história do casamento em ruínas de Ivy e Theo.
Agora interpretados por Olivia Colman e Benedict Cumberbatch, o longa chega aos cinemas com a difícil missão de atualizar uma história já adaptada em 1989.
Isto é, na icônica versão estrelada por Michael Douglas e Kathleen Turner.
Um remake que respira novos ares

Mais de três décadas depois de Danny DeVito transformar Michael Douglas e Kathleen Turner em um casal em guerra no clássico A Guerra dos Roses (1989), o diretor Jay Roach traz às telas uma nova adaptação do romance de Warren Adler.
Assim, em Os Roses: Até Que a Morte os Separe, a trama ganha frescor, sotaque britânico e diálogos ainda mais afiados.
Desta vez, acompanhamos Ivy (Olivia Colman) e Theo (Benedict Cumberbatch), um casal que à primeira vista parece saído de uma propaganda de margarina.
Ou seja, ela é uma chef carismática, enquanto que ele é um arquiteto renomado.
Mas basta um tropeço profissional de Theo e a guinada meteórica da carreira de Ivy para que ressentimentos antigos, inseguranças e rivalidades venham à tona.
Logo, o que era amor vira competição, e a casa dos dois se torna palco de uma guerra particular.
Com direito a ironia britânica, discussões quase teatrais e uma escalada de situações absurdas.
Entre amor, inveja e rancor
Na nova releitura, Theo é um arquiteto cuja carreira entra em colapso, enquanto Ivy desponta como uma chef de renome mundial.
Certamente, essa inversão de papéis alimenta ressentimentos, inseguranças e, claro, brigas cada vez mais ácidas.
O filme acerta ao explorar como ambição, sucesso e fracasso podem corroer um casamento.
Ainda que, em alguns momentos, simplifique demais a transição entre o amor cúmplice e a hostilidade aberta.
Aliás, grande parte disso vem do brilhante roteiro de Tony McNamara.
Responsável por sucessos como A Favorita e Pobres Criaturas, McNamara imprime sua marca no roteiro com diálogos mordazes, humor inteligente e um olhar cínico sobre relacionamentos.
Portanto, ao atualizar o material original e inverter papéis de gênero, o roteirista entrega uma versão que conversa com o presente, sem perder o charme do embate clássico entre dois personagens que se amam, mas não conseguem conviver.
Benedict Cumberbatch e Olivia Colman brilham

Não há dúvidas de que Colman e Cumberbatch são o coração do longa.
A atriz constrói uma Ivy complexa, que vai da figura apagada à estrela de sucesso da gastronomia, enquanto Cumberbatch transforma Theo em um homem dividido entre arrogância e fragilidade.
Logo, o choque entre os dois rende momentos de humor ácido, tensão sufocante e até mesmo certa melancolia.
Ademais, tanto Cumberbatch quanto Colman entregam interpretações afiadas, equilibrando humor e desespero em uma química que prende o espectador.
No fim, Os Roses: Até Que a Morte os Separe acerta ao explorar como ambição, sucesso e fracasso podem corroer um casamento.
Os Roses: Até Que a Morte os Separe acerta em comédia ácida
O elenco de apoio — com nomes como Kate McKinnon, Andy Samberg, Zoë Chao e Ncuti Gatwa — cumpre bem seu papel de dar ritmo e respiro à narrativa, ainda que algumas piadas se repitam.
Embora alguns personagens secundários apareçam pouco desenvolvidos, servem como contraponto cômico e ampliam a sensação de desordem que cerca o casal protagonista.
Já a casa tecnológica, tão imponente quanto simbólica, funciona como terceiro personagem, refletindo o quanto o espaço físico também se torna um campo de batalha.
E não podemos deixar de mencionar a brilhante atuação de Alison Janney.
A atriz, por outro lado, brilha como a advogada agressiva de Ivy, roubando a cena sempre que aparece.
Ainda assim, parte do humor secundário parece subaproveitado, deixando a maior responsabilidade dramática nas costas do casal principal.
Um remake necessário?

Inegavelmente Jay Roach conduz a história com equilíbrio e o longa nunca perde o pé no realismo emocional, mesmo quando abraça o exagero de brigas que beiram o cartunesco.
O resultado é uma comédia dramática elegante, que mistura ironia britânica, nonsense e uma dose de crítica social.
A grande questão que paira sobre Os Roses: Até Que a Morte os Separe é se havia espaço para uma nova adaptação.
Embora não supere a versão de 1989 em intensidade e impacto, esta releitura oferece nuances interessantes ao inserir reflexões mais atuais sobre papéis de gênero, ambição e identidade.
Além disso, o texto mordaz de McNamara e as atuações centrais garantem que o longa encontre sua voz.
Portanto, podemos dizer que Os Roses: Até Que a Morte os Separe é uma comédia dramática que mistura o riso nervoso com a dor realista das relações em ruína.
Não é um filme perfeito, mas consegue ser cruel, divertido e reflexivo na medida certa.
Enfim, uma história sobre como amor e admiração podem se corroer até restar apenas inveja, rancor e destruição.
É engraçado, incômodo e, de certa forma, dolorosamente humano.
E você, de que lado ficaria nessa guerra conjugal: do time Ivy, do time Theo… ou do time casa?
Os Roses: Até Que a Morte os Separe está em cartaz nos principais cinemas do Brasil!
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