Foto: Paris Films/Divulgação
À primeira vista, Bailarina parece ser apenas um filme que entra na onda do sucesso de John Wick.
Aliás, o universo de John Wick sempre foi sinônimo de ação desenfreada, coreografias impecáveis e personagens que transitam entre o místico e o brutal.
Mas agora, com o lançamento de Bailarina , essa fórmula ganha um novo fôlego.
A produção, estrelada por Ana de Armas, marca o primeiro spin-off em longa-metragem da franquia e acerta em cheio ao colocar uma nova protagonista no centro da ação, sem depender da constante presença de Keanu Reeves.
Ana de Armas no centro da ação

Dirigido por Len Wiseman e estrelado por Ana de Armas, o longa é uma experiência de ação intensa.
Embora tropece em alguns momentos narrativos, o longa entrega cenas memoráveis e solidifica a atriz como uma nova força do cinema de ação.
Dando vida a Eve, uma jovem treinada por uma seita secreta de assassinas, Ana de Armas encara aqui o papel mais exigente fisicamente de sua carreira.
Pequena, ágil e feroz, ela convence como uma máquina de combate.
Grande parte disso se dá por conta da produção de Bailarina.
Nesse sentido, a câmera respeita seus movimentos, as lutas são visualmente impactantes e o estilo da franquia é mantido com precisão, ainda que com uma leve suavização em relação à direção de Chad Stahelski, criador do universo.
Bailarina: Um universo em expansão
Inegavelmente, Bailarina tem um cuidado ao integrar rostos conhecidos, como Winston (Ian McShane), Charon (o saudoso Lance Reddick) e até mesmo o próprio John Wick, mas nunca os usa para ofuscar Eve.
Ao contrário, suas participações são bem dosadas, servindo como elo de ligação entre os filmes anteriores e esse novo capítulo, sem roubar a cena da nova estrela.
Ademais, visualmente, o filme mantém a estética estilizada e neon que marcou os filmes anteriores.
A fotografia de Romain Lacourbas é um deleite para os olhos, mesclando sombras densas e cores vibrantes para ilustrar a dualidade entre beleza e brutalidade.
Já o roteiro de Shay Hatten, por sua vez, utiliza elementos clássicos com diálogos que soam ora poéticos, ora brutais, mas quase sempre eficazes.
Ação bem coreografada, mitologia subdesenvolvida

Se há algo em que Bailarina acerta em cheio, é na execução das sequências de ação.
A cena no gelo com patins e arma em punho, ou o ataque com lança-chamas em um cenário repleto de assassinos, demonstram criatividade e domínio técnico.
Nesse sentido, há uma mistura bem dosada entre improviso e coreografia, que respeita a inexperiência da personagem sem sacrificar a estética visual.
Porém, o roteiro de Shay Hatten aposta numa subtrama que promete aprofundar a mitologia das bailarinas assassinas e da seita que as molda, mas que é abandonada antes de causar qualquer impacto real.
A introdução de uma possível irmã e o dilema sobre fugir ou permanecer dentro do culto, por exemplo, são pinceladas de drama que não se sustentam.
O vilão, pouco carismático, também não ajuda a elevar o conflito.
Ao contrário de John Wick, que brinca com caricaturas para reforçar seu tom exagerado, Bailarina tenta ser mais sério, mas não entrega a profundidade necessária.
A sombra de Wick
Se existe algo que funcione muito bem no longa, além da estrela Ana de Armas, é a participação de Keanu Reeves.
Assim, podemos afirmar que a participação é pontual e muito significativa.
Ou seja, em dois momentos-chave, John Wick surge para oferecer conselhos, desafiar e, eventualmente, salvar Eve.
Há aqui uma tentativa de passar o bastão, mas a impressão é de que a figura de Wick ainda é necessária para legitimar a existência de Bailarina.
Isso diz muito sobre o desafio de criar um spin-off forte o suficiente para se sustentar por conta própria.
Ainda que o resultado final não seja um desastre, é perceptível a tentativa de costurar diferentes visões e ajustes de última hora, o que torna o filme irregular em seu ritmo e impacto.
Um spin-off que diverte, mas não revoluciona

Eve, assim como John Wick, enfrenta legiões de inimigos sem aparentar desgaste real.
Tal situação pode soar como distante da realidade.
Ainda assim, a protagonista apanha, improvisa e erra, elementos que humanizam sua jornada, mesmo que, por vezes, o figurino e o cabelo impecáveis contradigam essa proposta de vulnerabilidade.
No fim, Bailarina é uma adição competente ao universo de John Wick.
Nesse sentido, o longa não reinventa o gênero nem alcança a sofisticação coreográfica dos filmes principais, mas entrega o que promete.
Isto é, ação estilizada, estética noir e uma protagonista que segura as pontas.
Falta uma mitologia mais consistente e um desenvolvimento dramático mais ousado, mas há carisma, ritmo e energia o suficiente para entreter e empolgar.
Vale a pena assistir Bailarina?
Bailarina é um filme que honra parte da estética do universo John Wick, embora não alcança sua alma.
É um derivado que diverte em seus momentos mais viscerais, mas falha ao tentar dar profundidade à sua protagonista e à sua narrativa.
Assim, faltam ousadia, inventividade e, principalmente, um senso mais claro de propósito além de “mais do mesmo”.
No entanto, não dá para negar que o spin-off é uma prova de que o universo John Wick tem fôlego para ir além do seu personagem central.
Com um equilíbrio admirável entre reverência ao passado e ousadia narrativa, o filme planta as sementes para uma nova era.
E você, acha que Bailarina tem força para sustentar uma nova franquia dentro desse universo?
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O filme encontra-se em cartaz nos cinemas do país.
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