Foto: Diamond Films/Divulgação
Dirigido por David Yarovesky e produzido por Sam Raimi, Confinado é um suspense sufocante ao mesmo passo que é um thriller psicológico intimista.
O filme traz Anthony Hopkins e Bill Skarsgård em um embate psicológico que mistura suspense claustrofóbico com crítica social.
Dentro da armadilha: o pesadelo começa com um clique

Imagine entrar em um carro destrancado para tentar um furto rápido e descobrir que caiu numa armadilha mortal.
É com essa premissa inquietante que Confinado, remake americano do argentino 4×4 (2019), convida o espectador a refletir sobre crime, punição, desigualdade e o abismo social das grandes cidades.
Nesse sentido, a trama gira em torno de Eddie (Skarsgård), um homem marcado pela precariedade e por escolhas duvidosas.
Com a vida em ruínas (ou seja, van quebrada, aluguel atrasado, relação distante com a filha), ele vê num carro de luxo destrancado a chance de um respiro financeiro.
Só que o “golpe de sorte” rapidamente se revela uma armadilha. E, ao entrar no veículo, ele fica preso, à mercê de uma voz invisível e ameaçadora.
A voz pertence a William (Hopkins), um médico aposentado e doente terminal que transforma o carro em uma prisão móvel para aplicar o que considera uma lição moral ao invasor.
Do suspense psicológico à alegoria torturante
Confinado é, na superfície, um jogo de gato e rato entre dois homens com feridas abertas e visões de mundo opostas.
No centro, está uma tentativa de debate sobre justiça, culpa, desespero e as consequências das escolhas individuais.
Logo, Eddie representa os esquecidos pela sociedade, enquanto William simboliza o ressentimento acumulado de quem se sente traído por ela.
Apesar de algumas boas intenções iniciais e de uma ambientação que potencializa o desconforto, o filme logo se perde em sua própria armadilha.
Assim, o que começa como um estudo psicológico e ético se converte num espetáculo de tortura física e emocional, sem nuances nem evolução dramática real.
O roteiro repete situações e falas, diluindo a tensão ao invés de aprofundá-la.
A câmera, que inicialmente funciona como extensão do estado emocional do protagonista, acaba tornando-se previsível, sem conseguir sustentar a densidade proposta.
Confinado tenta ser diferente

Com cerca de 90 minutos, Confinado sofre de um mal comum a muitos thrillers: o desgaste da proposta.
Embora apresente uma ideia interessante ao mostra um ladrão preso num carro inteligente que se torna uma prisão, a impressão que se tem é que o filme se perde na própria ambição.
Pois ao tentar transformar o longa com discussões sociais amplas e reviravoltas de ação, Confinado se alonga sem profundidade.
A crítica à desigualdade, à especulação urbana e ao sistema penal se dilui em frases prontas, como se o roteiro temesse incomodar demais ou se comprometer com uma visão contundente.
O contraste com os filmes que inspiraram esse remake é inevitável.
Tanto o argentino 4×4 (2019) quanto o brasileiro A Jaula (2022) conseguiram adaptar a mesma premissa com mais propriedade, inserindo os personagens em contextos sociais mais nítidos.
Além de propor discussões mais relevantes.
A versão norte-americana, por outro lado, parece apenas interessada em chocar. E o resultado é decepcionante.
Atuações poderosas, num filme mediano como Confinado
Certamente, Confinado tem uma proposta poderosa e um elenco afiado, mas falha em manter o ritmo e a profundidade.
Bill Skarsgård entrega uma performance visceral, oscilando entre raiva, desespero e culpa. Seu Eddie é falho, humano, às vezes patético, o que o torna interessante.
No entanto, o roteiro o abandona à própria sorte, sem lhe oferecer muito além de sofrimento físico e psicológico.
Já Anthony Hopkins, mesmo com tempo de tela limitado, empresta à voz de William um peso inquietante.
Sua frieza e sarcasmo acrescentam certa ironia à brutalidade da situação.
Ainda assim, é difícil não sentir que seu talento foi subaproveitado em um papel que, apesar da pompa, nunca se complexifica de fato.
O filme em si
No fim das contas, Confinado é um filme que, assim como seu protagonista, se vê trancado dentro de um espaço limitado e sufocante.
Desta maneira, podemos afirmar que o filme é um suspense que começa provocando reflexão e termina oferecendo respostas fáceis.
O resultado é uma experiência frustrante. Isto é, promissora no papel, mas enclausurada pela falta de foco, originalidade e empatia.
Ainda assim, o longa convida à pergunta mais importante de todas: diante das injustiças do mundo, até onde você iria para fazer justiça com as próprias mãos?
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Confinado está em cartaz nos cinemas do país.
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Nota da Miss TV:
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