Foto: HBO Max/Divulgação
A segunda temporada de The Last of Us chegou ao fim com um episódio intenso, sangrento e imerso na atmosfera de vingança que guia a jornada de Ellie.
Com um episódio devastador que mistura fidelidade ao game, atuações impactantes e a promessa de um novo ponto de vista para a terceira temporada, a season finale da segunda temporada preparou o terreno para o futuro sombrio de Ellie.
Assim, esse episódio não apenas selou o destino de personagens queridos, mas também aprofundou os dilemas morais da história e colocou a protagonista em rota de colisão com tudo que ainda resta de sua humanidade.
A força de Ellie em The Last of Us

Neste sétimo e último episódio, Ellie está tomada pelo ódio.
Nada mais importa, ou seja, nem Jesse, nem Tommy, nem mesmo Dina, grávida e emocionalmente abalada, são suficientes para conter sua obsessão em encontrar Abby.
Aliás, em cenas que remetem aos clássicos filmes de vingança, no qual vemos Ellie se jogando contra o mundo como um furacão incontrolável.
Assim, a moral, já em ruínas, vira apenas um ruído abafado pelo desejo cego de justiça.
Inegavelmente, Bella Ramsey segue em um desempenho impressionante.
Nesse sentido, a atriz de 21 anos consegue transmitir, com nuances, o colapso interno de Ellie; uma personagem cuja tragédia não está apenas nas perdas que sofreu, mas nas escolhas que faz ao longo do caminho.
O roteiro, no entanto, parece receoso em mergulhar completamente nesse abismo.
Desta forma, temos uma Ellie da série bastante cruel, mas não tanto quanto a do game.
Em contrapartida, no jogo, Ellie não é uma heroína, mas sim uma sobrevivente marcada pela violência, pela solidão e pela culpa.
Talvez falte coragem em trazer a Ellie dos jogos para a série da HBO. Ou, talvez, os roteiristas estejam mais preocupados com a audiência em si.
Uma construção apressada e desequilibrada
Desde o início, o número reduzido de episódios de The Last of Us levantava dúvidas sobre a capacidade da série em adaptar satisfatoriamente os densos acontecimentos do segundo jogo da franquia.
Infelizmente, a segunda temporada da série da HBO acabou sendo refém da própria temporada.
Nesse sentido, é nítido que o esperado reencontro (ou confronto) entre Ellie e Abby, marcando um ponto crucial da adaptação, não foi como esperado pelos fãs.
Além disso, as decisões impensadas de Ellie — como abandonar a missão de resgatar Tommy em troca de perseguir uma pista dúbia — e a forma como situações críticas são resolvidas com conveniências narrativas enfraquecem o impacto emocional que The Last of Us sempre buscou construir com autenticidade.
Quando a ação acerta e a emoção vacila

Se o roteiro hesita em aprofundar a degradação psicológica de Ellie, a direção acerta em cheio no ritmo e na tensão.
Assim, o episódio é construído como uma espiral de violência, em que cada nova decisão empurra a protagonista ainda mais para o fundo.
Do tiroteio entre Lobos e Cicatrizes à invasão do aquário, passando pelo reencontro trágico com Mel e Owen, há um senso de urgência palpável em cada sequência.
Ainda assim, o gancho para a terceira temporada acaba sendo apressado. A chegada de Abby ao teatro e o confronto que se inicia entre as duas personagens carecem de maior impacto emocional.
Ademais, a escolha de não intercalar o presente com flashbacks, como feito com maestria no game, deixa o episódio com ares de correria.
Ou seja, é como se o roteiro quisesse logo se livrar da narrativa para abrir espaço ao próximo ciclo.
Jesse

Certamente, um dos momentos mais marcantes do episódio final é a morte repentina e violenta de Jesse.
Enquanto ele e Ellie tentam resgatar Tommy das mãos de Abby, o personagem é atingido por um tiro na cabeça logo ao entrar no teatro.
A cena é seca, rápida e brutal e, para quem jogou The Last of Us Part II, tristemente familiar.
Assim, a adaptação da HBO replica com precisão visual e emocional o que ocorre no game, respeitando a trajetória trágica do personagem.
Antes do desfecho trágico, a série mostra Ellie cada vez mais consumida por sua sede de vingança.
Por isso, vemos uma Ellie fora de si, torturando Nora e matando Owen e Mel. Um desfecho já previsível para os fãs do game.
O que esperar da terceira temporada de The Last Of Us?
A reta final marca também a chegada definitiva de Abby como peça central da trama.
Assim, após passar grande parte da temporada sendo construída como a antagonista, Abby aparece em carne e osso para vingar seus amigos.
A última cena do episódio, com Abby acordando no estádio militar dos Lobos e o letreiro “Seattle – Dia Um” surgindo na tela, sinaliza uma mudança de perspectiva.
Logo, a terceira temporada deverá nos fazer enxergar os acontecimentos sob o olhar de Abby, uma reviravolta narrativa que promete abalar ainda mais as certezas do público e que também aparece no game.
Se há algo que The Last of Us ainda faz muito bem, é retratar a brutalidade do mundo em que está inserido. A série segue sendo tecnicamente impecável e conta com cenas marcantes.
No entanto, o maior dilema da série continua. Isto é, a história se repete, mas a sensação de novidade, não.
E nós realmente queremos e ansiamos pelo confronto entre Abby e Ellie de forma tão impactante (ou mais) quanto ao game.
E você, está preparado para encarar o ponto de vista de Abby? Conta pra gente nos comentários!
Siga a Miss TV nas redes sociais para não perder nenhuma análise da sua série favorita!
Nota do Episódio:
Descubra mais sobre Miss TV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
