Foto: Netflix/Divulgação
Lançado pela Netflix em 23 de maio, Rua do Medo: A Rainha do Baile marca o quarto filme da franquia baseada nos livros de R. L. Stine.
Depois do sucesso da trilogia Rua do Medo lançada pela Netflix em 2021, o novo capítulo da saga chega com a promessa de expandir o universo inspirado nos livros.
No entanto, apesar de ter estilo e referências, a produção se mostra rasa, previsível e pouco conectada com o legado construído anteriormente.
O retorno morno a Shadyside

Ambientado em 1988, o longa resgata a estética dos slashers clássicos dos anos 1980, com mortes brutais, adolescentes populares e corredores de colégio mal iluminados.
Contudo, apesar do sangue e da atmosfera nostálgica, Rua do Medo: A Rainha do Baile deixa a desejar justamente no que fez da trilogia original um sucesso cult.
Isto é, na coesão narrativa, nos personagens marcantes e na relevância temática.
No centro da trama está Lori Granger (India Fowler), uma jovem determinada a vencer a eleição de rainha do baile na escola de Shadyside.
Assim, entre rivalidades estudantis e pressões familiares, Lori se vê cercada por mortes brutais que transformam o tradicional baile em um verdadeiro pesadelo.
Rua do Medo: Rainha do Baile aposta na nostalgia dos anos 80
Dessa vez, o cenário é a Shadyside High School às vésperas do baile de formatura.
Seis garotas disputam o cobiçado título de Rainha do Baile, entre elas a popular Tiffany Falconer e a enigmática Lori Granger, jovem marcada por um passado turbulento e que carrega o estigma de ser filha de uma suposta assassina.
Ao contrário dos filmes anteriores da franquia, que exploravam a maldição de Sarah Fier como metáfora para desigualdades sociais, traumas intergeracionais e repressões sistêmicas, A Rainha do Baile abandona quase por completo essa mitologia.
Assim, os vínculos com a trilogia são mínimos – uma fala solta aqui, um símbolo ali –, tornando a conexão com o universo de Rua do Medo fraca e pouco convincente.
Além disso, a ausência da bruxa e da narrativa que sustentava os três primeiros filmes torna o novo capítulo uma experiência isolada, mais próxima de um spin-off do que de uma continuação.
Estética marcante, roteiro esquecível

Visualmente, o longa de Matt Palmer acerta.
Há uma paleta neon vibrante, figurinos típicos dos anos 80 e uma trilha sonora recheada de hits como “Never Gonna Give You Up” e “Gloria”.
Ademais as referências a clássicos do terror como Carrie, a Estranha e Baile de Formatura são evidentes, e o clima nostálgico funciona bem como homenagem.
No entanto, o roteiro carece de substância. A trama se apoia demais em clichês batidos, como bullying escolar, reviravoltas previsíveis, assassinos mascarados.
Isso acaba deixando de lado o que realmente importa, que é se aprofundar nos personagens ou justificar suas motivações.
A protagonista tem carisma moderado, mas o restante do elenco é subaproveitado, incluindo boas atrizes que mereciam mais destaque.
Até mesmo o suspense é pouco eficaz: mortes sem impacto, vilã sem força e um plot twist final que mais levanta dúvidas do que entrega respostas.
Independência ou ruptura?
Embora Rua do Medo: A Rainha do Baile funcione como filme independente, essa escolha acaba jogando contra a força que a saga havia construído.
Inegavelmente, a trilogia original se destacou justamente por amarrar narrativas de diferentes épocas através de um núcleo temático e emocional bem definido.
Por outro lado, este novo capítulo, ao focar em disputas adolescentes e traumas familiares sem a ancoragem mística da maldição de Shadyside, parece esquecer o que tornava esse universo tão cativante.
A cena pós-créditos tenta estabelecer uma ligação tardia ao universo anterior, com a aparição do símbolo da bruxa no sangue da antagonista.
No entanto o gesto soa mais como um aceno tímido do que como parte de um plano coeso para expandir a mitologia.
Segundo o próprio R. L. Stine, mais filmes estão em desenvolvimento.
A grande questão é se a Netflix pretende transformar Rua do Medo em uma antologia de histórias isoladas ou manterá alguma forma de continuidade mitológica?
Rua do Medo: A Rainha do Baile vale o play?

Para quem gosta do estilo slasher e quer apenas um entretenimento leve com cara de anos 80, o filme pode ser uma opção divertida para uma noite descompromissada.
Mas se você espera o mesmo impacto da trilogia original ou busca uma história envolvente e bem amarrada, é provável que Rua do Medo: Rainha do Baile deixe a desejar.
Ademais, sem a força simbólica da maldição de Sarah Fier, o novo capítulo se contenta em ser apenas mais um slasher genérico.
Por fim, as motivações dos vilões são previsíveis, e a estrutura do roteiro se arrasta no terceiro ato, com explicações redundantes que enfraquecem o impacto final.
E você, acha que a franquia Rua do Medo ainda tem fôlego para continuar? Conta pra gente nos comentários!
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