Foto: Divulgação
A 78ª edição do Festival de Cannes começou com um marco inédito.
Ou seja, pela primeira vez, um longa-metragem de estreia dirigido por uma mulher abriu o evento.
A honra coube a Amélie Bonnin, que apresentou Leave One Day, uma expansão de seu premiado curta Partir un jour, vencedor do César em 2023.
Amélie Bonnin faz história com Leave One Day

O longa, exibido fora da competição, mantém o tom nostálgico do original, mas propõe uma inversão de perspectiva.
Se no curta o foco estava em Raphaël (Bastien Bouillon), agora quem assume o protagonismo é Cécile (Juliette Armanet).
Ela é uma chef de 40 anos às voltas com memórias do passado, conflitos familiares e reencontros inesperados.
Assim, na história, Cécile está prestes a realizar o sonho de abrir um restaurante em Paris, quando um problema de saúde do pai a obriga a retornar à cidade natal.
Lá, reencontra velhos conhecidos e um antigo amor, o que a leva a questionar suas escolhas de vida.
Além disso, o filme, concebido como um musical pop, mistura canções nostálgicas de Dalida, Claude Nougaro e 2Be3.
Segundo a diretora, com sentimentos latentes sobre identidade, pertencimento e relações familiares, em especial entre pais e filhas, o longa apresenta uma dinâmica ainda pouco explorada no cinema.
Cannes e Juliette Armanet
Juliette Armanet, em alta na França, ganhou projeção internacional após sua performance impactante na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris 2024.
Assim, ao cantar Imagine diante de um piano em chamas sobre uma barcaça no Rio Sena, ela entrou para a história.
Agora, ela mostra outra faceta ao encarnar a complexa protagonista de Leave One Day.
Apesar da recepção calorosa do público em Cannes, com cinco minutos de aplausos, a crítica internacional foi dividida.
Enquanto alguns veículos, como Deadline e The Hollywood Reporter, destacaram o apelo emocional e a força simbólica da produção, outros, como The Guardian e Variety, classificaram o filme como frágil, sentimentalista e com músicas esquecíveis.
Por fim, o jornal britânico Telegraphy chegou a chamar Leave One Day de “a estreia mais fraca de Cannes em uma década”.
Sergei Loznitsa retorna à ficção com o sombrio Two Prosecutors

Na Competição oficial, quem chamou atenção foi o diretor ucraniano Sergei Loznitsa, com Two Prosecutors.
Conhecido por seu trabalho em documentários sobre a União Soviética e a guerra na Ucrânia, Loznitsa volta à ficção para adaptar o romance do físico e sobrevivente do Gulag, Georgy Demidov.
Aliás, o filme se passa durante os expurgos stalinistas e acompanha um jovem promotor que, ao investigar um caso antigo de abuso de poder por parte da polícia secreta, acaba se confrontando com o absurdo do regime totalitário.
Como em outras obras do diretor, o roteiro é meticuloso, a atmosfera é densa, e a crítica política, incisiva.
Visto que Loznitsa já havia sido selecionado para Cannes com Minha Alegria (2010) e In the Fog (2012), ele segue reafirmando sua habilidade em transitar entre o real e o ficcional com potência e precisão.
Após documentar o cotidiano da Ucrânia devastada em A Invasão (2024) e os protestos de Maidan (2014), Loznitsa agora mergulha no passado russo para iluminar as origens do autoritarismo que ainda reverbera na região.
Brasil também em destaque em Cannes
O cinema brasileiro também teve seu espaço garantido no Festival de Cannes 2025.
Desta forma, o diretor cearense Karim Aïnouz promoveu quatro curtas-metragens realizados por jovens do Norte e Nordeste do Brasil em parceria com cineastas de diversos países.

Dentro do projeto Directors’ Factory Ceará Brasil, o Ceará brilhou.
Aliás, a exibição aconteceu durante a abertura da Quinzena de Cineastas e destacou o fortalecimento da produção audiovisual cearense, com mais de 100 profissionais envolvidos diretamente nos filmes.
Com produções como A Fera do Mangue, A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, Ponto Cego e Como Ler o Vento, o Brasil reforça sua presença no festival.
Lembrando que este ano teremos O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, concorrendo à Palma de Ouro.
Com o que vimos até agora, Cannes 2025 começa com tons fortes e contrastantes.
E a 78ª edição tem tudo para fazer história!
E você, o que espera da seleção deste ano? Compartilhe sua opinião nos comentários!
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