Foto: Universal Pictures/Divulgação
Dirigido por Jaume Collet-Serra e protagonizado por Danielle Deadwyler, A Mulher no Jardim é um thriller psicológico que aposta no terror atmosférico e simbólico para retratar o colapso emocional de uma mulher em luto.
Nesse sentido, o horror não se manifesta com gritos ou monstros grotescos, mas com o silêncio do luto, o peso da ausência e a sombra da depressão.
Quando a dor ganha forma

A trama gira em torno de Ramona, uma viúva que tenta seguir em frente ao lado dos dois filhos após a trágica morte do marido.
O cenário, inicialmente pastoral e tranquilo, logo se torna palco de inquietação quando uma figura misteriosa, uma mulher coberta por um véu preto, surge silenciosamente no quintal da família.
Desta maneira, essa aparição funciona como metáfora viva do desequilíbrio interno da protagonista, uma manifestação quase mitológica de sua dor e culpa.
O filme, com claras influências de obras como O Babadook e Quando as Luzes se Apagam, caminha entre o horror sobrenatural e a instabilidade psíquica, sem nunca entregar uma resposta definitiva.
Seria a mulher no jardim uma entidade? Uma alucinação? Um símbolo da memória reprimida?
Collet-Serra evita se comprometer com explicações fáceis, apostando na ambiguidade como motor da narrativa, com resultados tanto provocativos quanto frustrantes.
Terror emocional e simbólico em A Mulher do Jardim
O roteiro assinado por Sam Stefanak, em sua estreia no cinema, propõe mais que sustos.
Isto é, ele entrega uma narrativa simbólica sobre saúde mental, onde cada elemento carrega significado.
A cadeira pesada no jardim, por exemplo, representa o fardo da depressão que se instala lentamente e se recusa a sair.
Já o espelho revela a forma como Ramona se enxerga, fragmentada.
Por fim, um pinguim de pelúcia, símbolo de fidelidade e cuidado mútuo, ganha função crucial no terceiro ato.
Além disso, a grafia invertida da letra “R” que aparece repetidamente no filme reforça o tema da distorção de identidade e da confusão interna em momentos de dor profunda.
Direção habilidosa e atuações intensas

Certamente, a maior força de A Mulher no Jardim está na sua condução técnica e no elenco.
Collet-Serra, experiente em criar tensão em espaços limitados como já demonstrado em Sem Escalas e O Passageiro, utiliza o ambiente doméstico como uma armadilha emocional.
Ademais, com a fotografia elegante de Pawel Pogorzelski e o desenho de som dissonante de Lorne Balfe, o diretor cria uma atmosfera de opressão crescente, transformando o jardim em um espaço de confronto entre o real e o simbólico.
E o que falar da atuação de Danielle Deadwyler?
Ela entrega uma performance hipnotizante, equilibrando fragilidade e força com nuances emocionais que elevam o filme.
Além disso, sua química com os filhos vividos por Peyton Jackson e Estella Kahiha também é notável, sustentando com verdade os momentos mais tensos e intimistas da história.
Já Okwui Okpokwasili, como a figura enigmática do jardim, imprime uma fisicalidade poderosa, que desperta tanto o medo quanto a curiosidade.
Quando a sugestão se torna limitação
Apesar da direção segura e das atuações impecáveis, o roteiro de Sam Stefanak deixa a desejar em seu desenvolvimento.
Assim, após dois atos promissores, a narrativa se perde em metáforas excessivamente abstratas, tornando o desfecho confuso e aquém das expectativas criadas.
Há ecos de temas relevantes como depressão, maternidade, racismo estrutural e o tabu do suicídio, mas todos são tratados de maneira superficial, como se o filme temesse ir além da superfície.
A sensação é de que A Mulher no Jardim tem material suficiente para um curta-metragem memorável, mas perde impacto ao se estender além do necessário.
O ritmo desacelera consideravelmente no segundo ato, criando momentos de estagnação e repetição. Mesmo assim, a experiência pode ser recompensadora para quem aprecia filmes mais sugestivos do que explicativos.
Vale a pena assistir A Mulher no Jardim?

Com estética refinada, direção competente e um elenco envolvente, A Mulher no Jardim é uma experiência visual e emocionalmente intrigante, ainda que imperfeita.
Sua escolha por uma narrativa alegórica e aberta a interpretações pode agradar quem busca um terror mais psicológico e menos literal, mas pode decepcionar quem espera um clímax mais contundente ou uma resolução mais clara.
Distribuído pela Universal Pictures, com produção de Jason Blum e Stephanie Allain, A Mulher no Jardim é mais do que um thriller de terror; é uma história sobre perda, dor, sobrevivência e resiliência.
Por fim, é um filme que dialoga com o espectador não apenas pela tensão, mas pela empatia e delicadeza ao abordar temas difíceis como o luto, a maternidade solitária e os efeitos devastadores da depressão.
A Mulher no Jardim encontra-se em cartaz nos principais cinemas do país!
E você? O que faria se algo, ou alguém, surgisse misteriosamente no seu jardim? Conta pra gente nos comentários!
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Nota da Miss TV:
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