Foto: Marvel Studios/Divulgação
No papel, Thunderbolts* poderia parecer apenas mais um capítulo genérico do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).
Com personagens de segundo escalão e a promessa de ação desenfreada, o projeto parecia destinado a passar despercebido.
Porém, o resultado final entrega algo surpreendentemente diferente: um filme que mistura sátira, emoção, metalinguagem e até reflexões existenciais.
Tudo isso, enquanto tenta reorganizar os escombros do MCU pós-Ultimato.
O futuro do MCU pode estar nos anti-heróis
⚠️ ATENÇÃO: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO FILME Thunderbolts*. LEIA POR SUA CONTA EM RISCO. ⚠️
Após anos de altos e baixos, Thunderbolts chega* com a promessa de revitalizar o MCU e encerrar uma fase marcada por incertezas.
Se há algum tempo atrás alguém dissesse que a Marvel conseguiria o impossível quando teve a ideia de lançar o projeto Vingadores, provavelmente, ninguém acreditaria.

Mas a prova está aí. Depois de Vingadores: Ultimato, a Marvel jamais foi a mesma. Foram pelo menos 10 anos para construirem um dos melhores filmes do últimos tempos e chegarem no topo das bilheterias.
Está certo que depois de Ultimato, a própria Marvel se perdeu com filmes e séries que tentavam refazer a mesma fórmula que deu a ela o status de unanimidade no mundo do entretenimento.
No entanto, a saturação de histórias de heróis impecáveis e invencíveis começou a cansar até os fãs mais devotos.
Até o momento que saiu a ideia de fazerem um filme focado nos Thunderbolts.
Thunderbolts* e a esperança do MCU
A entrada dos anti-heróis, personagens complexos com motivações ambíguas, traz consigo uma nova dinâmica para o universo cinematográfico.
Personagens como Deadpool e Loki já mostraram que o público aprecia figuras que subvertem expectativas tradicionais, desafiando normas do heroísmo clássico.
Agora chegou a vez da equipe de Thunderbolts deixar a sua marca no legado da Marvel (e do cinema).
Para quem esperava um filme genérico e mais do mesmo, pode ter se surpreendido.
Assim, o filme Thunderbolts* tem o potencial de ser um divisor de águas.
Com um elenco de personagens marcados pelo passado duvidoso e moralidade questionável, a Marvel aposta numa narrativa mais sombria e realista.
Esta abordagem, aliás, promete não apenas diversificar o leque de histórias e personalidades, mas também refletir questões contemporâneas e dilemas éticos que ressoam com o público moderno.
Uma equipe improvável e uma missão suicida

No filme, acompanhamos Valentina Allegra de Fontaine à beira de um colapso político.
Para encobrir rastros de operações ilegais conduzidas sob sua liderança na CIA, ela reúne um grupo de ex-agentes e mercenários problemáticos, muitos dos quais esquecidos pelo próprio universo que os criou.
E é aí que entra o grupo de anti-heróis da Marvel.
Desta maneira, Yelena Belova, John Walker, Fantasma, Treinadora, Guardião Vermelho e, mais tarde, Bucky Barnes são convocados não para salvar o mundo, mas para limpar a bagunça deixada por ela.
Contudo, algo inesperado acontece.
Esses personagens, cada um com cicatrizes profundas e passados traumáticos, acabam se unindo não por ordens ou ambições, mas por empatia.
Em meio a um plano de encobrimento que envolve experimentos de super-soldados e o surgimento de um novo “herói vendável”, o Sentinela, Thunderbolts* mostra que um herói não é fabricado, e sim, ele acontece.
E, no caos da missão, esses anti-heróis acabam encontrando propósito um no outro.
Florence Pugh brilha em Thunderbolts*
Inegavelmente, Florence Pugh é o grande nome de Thunderbolts*. A atriz apresenta uma Yelena emocionalmente desgastada.
Logo, a personagem, marcada pela perda da irmã e pela desorientação existencial, guia o grupo em uma jornada que flerta com temas de depressão, niilismo e redenção.
Ao invés de nostalgia ou participações especiais, o filme opta por desenvolver seus personagens com mais profundidade, fugindo da fórmula superficial que desgastou a franquia nos últimos anos.
Um filme promissor

A direção de Jake Schreier imprime certo frescor à fórmula desgastada da Marvel.
A ação, especialmente nas sequências iniciais, é sólida e transmite bem a tensão entre personagens que não confiam uns nos outros.
Quanto ao roteiro, assinado por Eric Pearson e Joanna Calo, ele tenta explorar temas como depressão, isolamento e autossabotagem.
Isso acaba conferindo um peso dramático interessante, sobretudo na construção de Yelena, cuja jornada emocional é o ponto alto do longa.
No entanto, à medida que o filme se aproxima do clímax, o ritmo se torna apressado.
Assim, desenvolvimentos importantes são atropelados para que se chegue logo à cena pós-créditos, deixando de lado o aprofundamento emocional prometido no início.
É nesse ponto que Thunderbolts* começa a se parecer com outros filmes recentes da Marvel.
Isto é, boas ideias sacrificadas em nome da pressa de amarrar pontas com os próximos lançamentos do estúdio.
Thunderbolts* versus Sentinela
Embora não alcance a força de Guardiões da Galáxia ou Vingadores: Guerra Infinita, Thunderbolts é mais interessante que diversas outras produções recentes do estúdio, como Capitão América: Admirável Mundo Novo ou Deadpool & Wolverine.
Isso porque tem um frescor no longa.
Assim, o longa olha para dentro, reconhece o cansaço do público e tenta usar isso a seu favor com humor sombrio, autocrítica e uma pegada mais autoral, por mais que esbarre em limitações estruturais de um blockbuster.
Outro destaque de Thunderbolts* é a introdução do Sentinela, um personagem quase onipotente que também enfrenta batalhas mentais profundas.
Ao invés de apostar em um embate físico grandioso, a trama opta por uma batalha psicológica, o que poderia ter sido uma grande virada de chave, não fosse o encerramento apressado, que cede à tentação de promover o grupo como os “novos Vingadores”.
Mesmo assim, não dá para negar a tentativa da Marvel em nos presentear um personagem marcante como o Sentinela depois de vermos vilões decepcionantes nos filmes pós Ultimato.
O filme em si
Thunderbolts* está longe de ser um desastre; é um filme interessante que tenta inovar a velha fórmula da própria Marvel.
Há química entre os personagens, boas atuações (em especial de Florence Pugh e Lewis Pullman) e momentos que nos fazem lembrar por que amamos o MCU.

Ainda assim, o longa não escapa da síndrome do “filme-pontes”, que existe menos por si e mais como trampolim para o que vem depois.
Podemos afirmar que Thunderbolts* é o que Esquadrão Suicida deveria ser, embora, apresente falhas e limitações em sua execução.
No fim, a missão desses personagens não é salvar o mundo. É encarar um sistema corrompido, suas próprias dores e, mesmo assim, escolher fazer a coisa certa.
Eles não se autodenominam heróis, nem sequer conseguem decidir se o nome do grupo será mesmo Thunderbolts*.
Mas ao reconhecerem que o mundo está quebrado, assumem a responsabilidade de tentar consertá-lo. E é nesse gesto que a Marvel encontra, ainda que de forma tímida, uma fagulha de reinvenção.
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Nota da Miss TV:
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