Foto: HBO Max/Divulgação
Desde o anúncio da segunda temporada de The Last of Us, o público sabia que, em algum momento, a história seguiria os passos do segundo jogo da franquia.
Porém, o que ninguém esperava era que esse momento chegasse tão cedo e de maneira tão devastadora.
Assim, no segundo episódio da segunda temporada, o mundo pós-apocalíptico de Ellie e Joel muda para sempre.
E nós, espectadores, fomos levados junto nessa reviravolta cruel.
O fim de uma era: Joel e o peso das escolhas passadas
Com três núcleos distintos se desenrolando em paralelo, o episódio entrega ação intensa, sustos bem orquestrados e cenas que permanecem na mente.

A invasão dos infectados à comunidade de Jackson é de encher os olhos e acelerar o coração, com uma direção técnica que lembra os melhores momentos de Game of Thrones.
Destaque para a maquiagem dos infectados e a atuação de Gabriel Luna, cuja entrega emocional torna a batalha ainda mais real.
Contudo, o que fez deste episódio ser tão marcante foi a morte de Joel.
A despedida do personagem pelas mãos de Abby é, sem dúvida, o ponto de virada da temporada e, talvez, de toda a série.
Episódio marcante de The Last of Us
Com uma direção firme de Mark Mylod (Succession), o episódio não se esquiva da violência nem da dor que marcam essa sequência.
Aliás, a cena mantém os principais elementos do jogo: o tiro de escopeta, o taco de golfe, a presença impotente de Ellie e o silêncio carregado de significado que acompanha os últimos suspiros do protagonista.

Pedro Pascal entrega uma atuação contida e comovente, enquanto Bella Ramsey traduz a dor de Ellie de maneira visceral.
Mesmo com pouco tempo de tela, a despedida de Joel é intensa, embora não tão devastadora quanto poderia ser, principalmente por causa da estrutura narrativa que divide o foco da atenção do espectador.
Porém, não dá para negar que o episódio transforma um momento de trauma em uma elegia silenciosa ao personagem que cativou o público desde a estreia de The Last of Us.
Duas histórias em conflito: ação versus emoção

A decisão de intercalar a morte de Joel com a jornada de Abby enfrentando uma horda de infectados nas montanhas cobertas de neve é, ao mesmo tempo, ousada e problemática.
A sequência de ação, grandiosa e visualmente arrebatadora, é digna de uma série da HBO Max.
Clickers emergindo do gelo, a invasão em massa e o surgimento de um Bloater são exemplos de como a série sabe construir tensão e espetáculo.
Porém, essa grandiosidade visual rouba o espaço emocional necessário para que a perda de Joel seja verdadeiramente sentida.
A ação, embora eletrizante, acaba fragmentando o episódio e a despedida de um personagem tão querido e importante se transforma no divisor da série.
Kaitlyn Dever e a força da sutileza em The Last of Us
Muito já se discutiu sobre as escolhas de elenco da série, mas neste episódio, Kaitlyn Dever prova com sobras por que foi escolhida para viver Abby.
Sua interpretação carrega camadas de dor, raiva e complexidade, mesmo sem o físico musculoso da personagem nos games.

A ausência de falas é compensada por uma expressão corporal que fala alto, criando uma vilã (ou heroína?) que, por mais controversa que seja, ganha profundidade desde o início.
Assim, seu ato de vingança é o estopim de uma reação em cadeia que reverbera muito além da morte de Joel.
Por sua vez, a série, diferente do jogo, já começa a explorar as consequências de seus atos.
Ou seja, o ataque dos infectados a Jackson é indiretamente causado por ela e contribui para a percepção da personagem como vilã, mesmo que suas motivações sejam compreensíveis.
Além disso, essa complexidade é um dos trunfos da adaptação, pois ao humanizar Abby desde já, a série convida o público a refletir sobre os tons de cinza em uma história de perdas e represálias.
O conflito moral entre justiça e vingança ganha forma nos olhares, nas decisões e nos silêncios que permeiam a narrativa.
Ellie, Abby e a troca de protagonismo
Se a primeira temporada foi centrada em Joel tentando se reconectar com a humanidade, agora a série caminha ao lado de Ellie, que inicia sua jornada de vingança e transformação.
Nesse sentido, a ausência de reconciliação entre ela e Joel antes de sua morte é um detalhe doloroso e intencional.
Ellie carrega agora o peso de uma despedida mal resolvida; uma ferida que guiará seus próximos passos.
Abby, por sua vez, começa a ganhar camadas. Mesmo apresentada como antagonista, sua trajetória já revela sinais de complexidade emocional.
Por fim, The Last of Us não busca justificar suas ações, mas a direção cuidadosa e a atuação precisa de Kaitlyn Dever sugerem que essa será uma personagem tão importante quanto Ellie daqui pra frente.
A construção de um novo arco
Certamente, o impacto da morte de Joel será o motor da temporada daqui para frente.
Ellie, agora sozinha, começa sua jornada de luto, vingança e amadurecimento.
Assim, a direção opta por fechar o episódio com uma cena poderosa: o corpo de Joel sendo arrastado na neve, envolto em um saco.
Um detalhe que não existe no jogo, mas que reforça a frieza dos acontecimentos e o vazio deixado pela ausência de um personagem tão central.
O paralelo com momentos anteriores da série também é emocionante.
A forma como Ellie segura a mão de Joel remete à cena da primeira temporada em que ele, ferido, faz o mesmo gesto.
Só que agora, ele não está mais ali para responder. A partir deste episódio, Ellie carrega o legado e o peso da perda.
No entanto, a dúvida que paira é se Bella Ramsey será capaz de sustentar o protagonismo emocional da série sem o carisma de Pascal ao seu lado.
Episódio molda o futuro de The Last of Us
Se a primeira temporada de The Last of Us já havia estabelecido um novo padrão para adaptações de games, a segunda reforça que este não é apenas um bom exemplo: é a referência definitiva.

O segundo episódio é brutal, emocional e tecnicamente impecável. Joel se vai, mas a série se recusa a estagnar.
Com apenas seis episódios restantes nesta temporada, a produção já dá sinais de que o foco será mais dilacerante do que nunca, explorando as cicatrizes da perda, as nuances da vingança e a linha tênue entre o herói e o vilão.
Além disso, a série nos deixa com uma pergunta inevitável: como será a relação do público com Abby a partir daqui?
Se ainda restava alguma dúvida sobre o nível de ambição da segunda temporada de The Last of Us, este episódio responde com contundência.
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Nota do Episódio:
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