Foto: HBO Max/Divulgação
Dois anos após a aclamada primeira temporada, The Last of Us retorna com um episódio que prepara o terreno para os conflitos devastadores que estão por vir.
Assim, ao invés de entregar grandes reviravoltas logo de cara, a série da HBO Max opta por um retorno cuidadoso, pausado e carregado de melancolia.
Enfim, o episódio inaugura uma fase mais madura, emocionalmente complexa e brutal da série.
Ademais, já podemos esperar novas ameaças e tensões que indicam o tom trágico que dominará os próximos capítulos.
Um reencontro com Joel e Ellie
Cinco anos se passaram desde os eventos da primeira temporada, e muita coisa mudou.

Joel agora vive em Jackson, tentando levar uma vida mais estável. Com cabelos grisalhos e sessões de terapia, ele parece mais calmo e reflexivo, mas sua ligação com Ellie segue abalada.
Isto é, os dois quase não compartilham cenas juntos, e quando o fazem, os diálogos são carregados de silêncio, mágoa e ressentimento.
Assim, os dois protagonistas agora convivem com uma relação estremecida, resultado direto das escolhas dolorosas que encerraram o primeiro ano de The Last of Us.
E é justamente essa distância, construída em nuances e silêncios, o fio condutor emocional do episódio.
O peso do passado e o início de novos caminhos
Fiel ao game The Last of Us Part II, o episódio mantém a essência do material original, mas ajusta a estrutura narrativa para o formato televisivo.
Um bom exemplo é a introdução antecipada de Abby que já no prólogo e no epílogo mostra estar conectada aos eventos finais da primeira temporada, algo revelado só mais adiante no jogo.
Sua presença, ainda tímida, promete impacto e complexidade nos próximos episódios.
Joel, por sua vez, lida com a culpa da decisão que salvou Ellie, mas custou tantas vidas.

Seu sofrimento é exposto com delicadeza, especialmente nas sessões com sua psicóloga, interpretada brilhantemente por Catherine O’Hara.
A atriz entrega momentos de leveza e introspecção, tornando sua personagem uma das adições mais marcantes até aqui.
Ela revela, por meio de falas simples e sinceras, que viver nesse mundo significa lidar com perdas constantes e seguir em frente, mesmo com a dor.
E não podemos negar que a atuação de Pedro Pascal, nesse episódio, é perfeita.
O ator entrega uma performance comovente, revelando a fragilidade de um homem que perdeu muito e agora teme perder o pouco que lhe resta.
The Last of Us e a juventude em meio ao horror
Outro destaque é a presença de Dina, que surge como um sopro de leveza em meio à rigidez de Ellie.
Embora a nossa protagonista Ellie esteja mais rebelde e desconectada, desafiando as regras da comunidade, é justamente a presença de Dina quem consegue trazer um pouco de leveza rara dentro do ambiente sombrio.
Seja durante patrulhas em áreas infestadas ou trocando piadas diante do conselho da cidade, The Last Of Us acerta ao capturar a energia de duas adolescentes que ainda conseguem rir, mesmo que o mundo ao redor esteja em ruínas.
A fidelidade ao jogo continua
Como já é marca registrada da série, muitos diálogos e cenas são retirados diretamente do jogo, com detalhes que fazem o coração dos fãs vibrar.
Como, por exemplo, Ellie pegando sua faca antes de sair em patrulha.
Além disso, a ambientação gelada, a trilha sonora nostálgica de Gustavo Santaolalla (que aparece rapidamente em cena), e os valores de produção impecáveis garantem a imersão no universo pós-apocalíptico.
Outro exemplo é a recriação da festa de Ano Novo, cena icônica do game.

Ela é feita com sensibilidade, respeitando o clima original e acrescentando camadas emocionais ao desenvolvimento das personagens.
Desta maneira, o beijo entre Ellie e Dina não é tratado como um momento espetaculoso.
E sim como uma pequena fagulha de normalidade num mundo quebrado. É um respiro sutil, mas essencial.
Um retorno sem pressa, mas com a cara de The Last of Us
O episódio de estreia da segunda temporada de The Last of Us pode não trazer o impacto imediato que muitos esperavam.
Ao invés disso, entrega uma construção atmosférica, emocionalmente complexa e repleta de pistas para os conflitos que virão.
Mazin e Druckmann apostam em um começo consciente, que prefere preparar o terreno antes de virar o tabuleiro de vez.
Além disso, o episódio de estreia prepara o terreno para o que virá. É o caso do Perseguidor.
O Perseguidor
Se os infectados já eram um dos grandes destaques da primeira temporada, The Last of Us eleva o terror com a introdução de uma nova e aterrorizante variação: o Perseguidor.
No episódio, Ellie se depara com essa nova criatura após cair em um nível inferior de um supermercado abandonado, e o que parecia uma missão corriqueira se transforma em um jogo de caça e presa.
Ao contrário dos Corredores impulsivos ou dos Estaladores dependentes de ecolocalização, o Perseguidor se esconde, observa e ataca com precisão.
Seu comportamento é tático, ou seja, ele se move pelas sombras.
Atraindo Ellie para armadilhas e fugindo quando confrontado, apenas para surpreendê-la em outro momento, já podemos esperar o caos chegando a comunidade de Jackson conjuntamente à Abby.
O que esperar da segunda temporada?
Com apenas sete episódios previstos nesta temporada, The Last of Us inicia seu novo ciclo de forma sólida, preparando o terreno para um conflito moral e emocional que promete deixar marcas profundas.
Assim, o episódio estabelece bem os pilares da narrativa que virá: vingança, perda, culpa e redenção.
Mesmo com ritmo lento, a série permanece fiel à proposta original, seja para provocar, emocionar e, ou ampliar os dilemas humanos de seus personagens.
Enfim, é o começo de uma nova fase, e quem tiver paciência para acompanhar o desenvolvimento certamente será recompensado.
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Nota do Episódio:
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