Foto: 20th Century Studios Brasil/Divulgação
Operação Vingança, dirigido por James Hawes e estrelado por Rami Malek, chega aos cinemas brasileiros com a proposta de reinventar o thriller de espionagem.
Assim, o filme troca tiroteios e perseguições explosivas por silêncios carregados, dilemas morais e estratégias de infiltração.
Baseado no livro de Robert Littell, o longa mergulha em uma narrativa densa, onde o luto e a inteligência são as maiores armas do protagonista.
Um espião fora do padrão

No universo dos thrillers de espionagem, heróis geralmente são agentes treinados, prontos para qualquer tipo de ação.
Operação Vingança opta por seguir um caminho diferente. Ou seja, o longa coloca um “herói improvável” no centro de uma história de dor, justiça e conflitos morais.
Rami Malek interpreta Charles Heller, um criptógrafo da CIA cuja vida muda drasticamente após a morte da esposa em um atentado terrorista.
Assim, sem apoio da agência e frustrado com a burocracia que impede qualquer tipo de resposta imediata, Heller decide agir por conta própria.
Chantageando seus superiores, ele se torna agente de campo, ainda que sem o perfil físico tradicional de um espião.
Vingança à moda cerebral
Certamente, o que diferencia Operação Vingança dos demais filmes de espionagem é o protagonista.
Heller não é um herói carismático ou destemido. Ele é introspectivo, socialmente deslocado e emocionalmente contido.
Aliás, o seu diferencial está na inteligência, nos bastidores, nos códigos e nos pontos cegos da própria agência que ele encontra vantagem sobre os inimigos e sobre os aliados.
Diferente de outros heróis do gênero, ele não sabe lutar, não domina armas e não é carismático.
No entanto, é exatamente isso que o diferencia. Sua inteligência e capacidade de improvisação se tornam suas principais armas em uma jornada que alterna momentos de tensão com reflexões emocionais.
Ao contrário de um John Wick, que encanta pela coreografia das lutas, Operação Vingança aposta em soluções mais mentais e estratégias inesperadas.
Essa escolha dá certo por um tempo, criando empatia com o protagonista, mas a ausência de ação mais direta acaba esvaziando parte do impacto que o roteiro parecia prometer.
Operação Vingança tenta ser diferente
Ao contrário de franquias como Missão Impossível ou John Wick, Operação Vingança opta por uma abordagem mais contida, quase claustrofóbica.

A fotografia em tons frios, os ambientes silenciosos e os diálogos truncados reforçam essa estética intimista, que prioriza o clima sobre o espetáculo.
Ademais, a trama avança por cidades como Londres, Istambul e o sul da França, sempre colocando Heller em situações onde é preciso mais raciocínio do que força física.
De fato há cenas memoráveis, como uma invasão a um hotel de luxo com uma piscina de vidro, que revelam a engenhosidade do personagem e da direção de Hawes.
No entanto, o roteiro por vezes recorre a coincidências convenientes e vilões genéricos que destoam do tom realista que o filme tenta manter.
Entre acertos e tropeços
Não dá para negar que Rami Malek entrega uma atuação sólida, apostando em sua frieza característica para compor um personagem marcado pela dor.
Há ecos de seu icônico Elliot de Mr. Robot, mas Charlie Heller tem nuances próprias.
Desta maneira, podemos afirmar que ele é um homem quebrado que está tentando seguir um caminho movido por emoção em um mundo onde a lógica da violência predomina.
Além da busca pessoal por justiça, o filme também aponta para disputas de poder internas na CIA.
A chegada de uma nova diretora e os embates com figuras mais tradicionais revelam uma luta velada por controle, legitimidade e hierarquia.
Essas tensões institucionais adicionam uma camada interessante ao enredo e dialogam com temas atuais sobre governança e autoridade em tempos de crise.
Apesar de Malek carrega o filme nas costas com uma atuação coerente e imersiva, o longa peca ao apresentar um roteiro previsível.
Ou seja, o roteiro tropeça ao tentar aprofundar discussões políticas e éticas que não são bem desenvolvidas.
Assim, elementos como a corrupção interna da CIA, a presença quase decorativa de personagens como o de Jon Bernthal, e a ausência de um confronto moral mais denso no clímax deixam a sensação de que a narrativa prometia mais do que entrega.
Operação Vingança é um Thriller Contido e Instigante
O longa funciona como um thriller emocional e cerebral, com um protagonista fora do comum e momentos de tensão bem construídos.

Apesar da falta de surpresas e de um terceiro ato que evita confrontar os dilemas mais complexos do personagem, Operação Vingança entrega uma experiência interessante para quem busca algo além da ação desenfreada.
Aliás, podemos afirmar que é uma proposta corajosa, que nem sempre alcança o impacto desejado, mas que oferece um respiro dentro do gênero.
Falta um clímax mais marcante? Sim. Porém sobra conceito e uma condução sólida que confia no espectador.
No fim das contas, é um bom exemplo de como é possível abordar o suspense e a espionagem por outra perspectiva, menos barulhenta, mas não menos relevante.
Operação Vingança já está em cartaz nos cinemas do país!
E você, prefere ação desenfreada ou thrillers que fazem pensar? Conta pra gente nos comentários!
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Nota da Miss TV:
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