Foto: Paris Filmes/Divulgação
Dirigido por JT Mollner, Desconhecidos se apresenta como mais um thriller de perseguição, mas logo subverte qualquer previsibilidade.
Desde seus primeiros minutos, o longa deixa claro que quer ser um filme especial.
Assim, o aviso de que foi “inteiramente filmado em 35mm” aparece antes mesmo de qualquer desenvolvimento narrativo, reforçando a intenção do diretor de apresentar sua obra como uma experiência cinematográfica diferenciada.
A proposta é interessante, mas será que o filme consegue entregar mais do que um conceito estilístico?
Entre Caça e Caçador, Nada é o que Parece

O filme, que mistura elementos de horror psicológico e true crime, coloca em xeque as expectativas do gênero ao inverter papeis e desafiar percepções.
Desta maneira, a narrativa acompanha uma jovem (Willa Fitzgerald) em uma fuga desesperada de um misterioso homem (Kyle Gallner).
No entanto, conforme a história se desenrola, o jogo de gato e rato se torna mais complexo do que aparenta.
Dividido em seis capítulos apresentados fora de ordem, Desconhecidos nos joga em uma trama inicialmente simples.
Mas a medida que os eventos se desenrolam, percebemos que nada é o que parece.
E, a cada novo fragmento da história, a tensão aumenta e a compreensão do que realmente está acontecendo se transforma.
Desconhecidos Brinca com Expectativas
Um dos trunfos de Desconhecidos é sua estrutura não linear, dividida em seis capítulos embaralhados, que obrigam o espectador a montar o quebra-cabeça pouco a pouco.
Inspirando-se em filmes como Amnésia (2000), a narrativa brinca com a desorientação, levando a dúvidas constantes sobre o que é real e quem de fato detém o controle da situação.
Além disso e com um orçamento modesto de US$ 4 milhões, o longa impressiona pelo visual.
A fotografia utiliza tons esverdeados e avermelhados para ressaltar a violência latente e o desespero dos personagens.
Já a direção aposta em closes intensos e enquadramentos diferenciados, reforçando o clima de incógnita e paranóia.
Atuações Intensas
O coração de Desconhecidos está na dinâmica entre Fitzgerald e Gallner.

Aliás, a atuação de Willa Fitzgerald é um dos pontos altos, trazendo camadas à sua personagem e sustentando bem a dinâmica de gato e rato com Gallner.
Já Gallner encarna um antagonista intrigante, cuja aparente crueldade esconde camadas inesperadas.
Certamente, a química entre os dois transforma a relação dos personagens em um fascinante duelo psicológico, onde cada palavra e gesto podem ter significados ocultos.
Além disso, a tensão é bem conduzida em certos momentos, com silêncios inquietantes e um senso de imprevisibilidade que prende a atenção.
Há também uma reviravolta interessante no terceiro ato, que subverte algumas expectativas do público.
Desconhecidos: Muito Mais do que um Filme de Serial Killer
Ao brincar com a estrutura narrativa e com as expectativas do gênero, Desconhecidos se torna um thriller diabolicamente inteligente.
Sua trilha sonora inquietante contribui para a sensação de perigo iminente, enquanto a montagem bem elaborada transforma a história em um quebra-cabeça instigante.
Apesar disso, nem tudo funciona.
A narrativa, que pretende ser provocadora, muitas vezes escorrega em estereótipos problemáticos.
E a construção dos personagens femininos, por exemplo, sugere uma falta de consciência sobre as mensagens que o filme transmite, reforçando ideias ultrapassadas sobre fragilidade e incompetência.
Mesmo assim, Desconhecidos é um thriller visualmente interessante e se destaca por desafiar convenções.
Logo, ao questionar arquétipos de gênero e a previsibilidade das narrativas de serial killers, JT Mollner entrega uma obra estilosa, incômoda e hipnotizante.
O thriller já está em cartaz nos cinemas do país.
Você já assistiu Desconhecidos? O que achou da reviravolta do filme? Conte nos comentários e não se esqueça de seguir a Miss TV nas redes sociais!
Nota da Miss TV:
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