Foto: Sony Pictures/Divulgação
Aos 95 anos, Fernanda Montenegro retorna às telas em grande estilo com Vitória, drama nacional dirigido por Andrucha Waddington e iniciado por Breno Silveira, falecido durante a produção.
Baseado na história real de Joana Zeferino da Paz, o filme mistura tensão, emoção e denúncia social para retratar uma realidade que ainda marca o país e que não deveria ser esquecida.
Assim, o longa é inspirado na trajetória de uma idosa que, indignada com a violência em seu bairro, decide enfrentar o tráfico de drogas com a única arma que tinha: uma filmadora.
Fernanda Montenegro brilha em drama impactante

Certamente, o grande nome do filme é o de Fernanda Montenegro. A atriz dá vida à protagonista Nina em uma atuação poderosa, comovente e delicadamente precisa.
Aliás, a performance, que pode ser sua despedida das telonas, é um verdadeiro presente ao cinema nacional.
Sua interpretação sensível e poderosa equilibra fragilidade e determinação, colocando o público dentro do universo tenso e emocional da protagonista.
Além disso, a atriz imprime humanidade em cada gesto, conferindo à personagem uma dimensão profunda, carregada de nuances com uma performance que, sem dúvida, é o grande motor da produção.
Vitória: Uma história real que parece ficção
A trama acompanha Nina, uma senhora solitária que decide registrar, da janela de seu apartamento, a movimentação de traficantes em sua rua.
O que ela jamais imaginaria era que seus vídeos acabariam chamando a atenção do jornalista Fábio Gusmão (Alan Rocha), que passa a ajudá-la em sua missão silenciosa e arriscada.
Embora seja uma história real, ela só veio à tona em 2005. Ademais, a identidade da verdadeira Nina só foi revelada após sua morte, em 2023, quando ela tinha 97 anos.
Além disso, a adaptação toma algumas liberdades para preservar a identidade da protagonista enquanto ela ainda estava viva.
Como, por exemplo, alterar seu nome e sua etnia, o que levanta discussões importantes sobre representatividade no cinema nacional.
Uma personagem forte em um contexto hostil
Mesmo diante da violência, da omissão policial e do descaso social, Nina nunca é retratada apenas como vítima.
Desta maneira, podemos dizer que o roteiro, assinado por Paula Fiuza com colaboração do saudoso Breno Silveira, acerta ao construir uma figura que inspira resistência sem cair no clichê.
Embora Vitória seja um filme baseado em fatos reais, o longa não se propõe a ser uma biografia fiel, o que acaba sendo um ponto positivo.
Por fim, a história de Nina/Vitória não apenas denuncia a barbárie cotidiana, mas também agradece silenciosamente àqueles que escolhem lutar, resistir e se posicionar, mesmo quando tudo parece perdido.
Vitória vai além de Fernanda Montenegro
É inegável que o elenco é o grande pilar de Vitória. Linn da Quebrada entrega uma performance delicada e comovente, capaz de conquistar o público logo em sua primeira aparição.

Por outro lado, é justamente Thawan Lucas que interpreta o menino Marcinho quem rouba a cena.
Carismático, o jovem ator impressiona com seu domínio emocional e expressividade, tornando cada gesto significativo.
Essas atuações, somadas à potência de Fernanda Montenegro, conferem humanidade e empatia à narrativa.
Alan Rocha também se destaca no papel do jornalista Fábio Godoy, figura essencial para que as denúncias ganhassem repercussão.
No entanto, o restante do elenco nem sempre acompanha esse nível de entrega. Em alguns momentos, personagens secundários soam mecânicos e pouco convincentes, evidenciando a falta de preparo em cenas que exigem mais sensibilidade.
Mas é impossível tirar os olhos de Fernanda Montenegro, cuja entrega em cena carrega o filme com a força de uma veterana que ainda sabe como comover com um simples olhar ou gesto contido.
Um clássico necessário
Sob a direção de Andrucha Waddington, Vitória encontra momentos de emoção genuína, mas também escorrega em alguns excessos dramáticos e numa abordagem superficial dos temas centrais.
A direção, por vezes, parece conservadora e pouco inspirada, dando a sensação de uma produção feita para a TV ou streaming, sem o peso cinematográfico que a história merecia.
Além disso, o roteiro evita aprofundar discussões mais complexas sobre tráfico, corrupção policial e falhas estruturais do sistema.
Em vez disso, opta por um caminho mais fácil, retratando antagonistas quase como vilões de novela. Logo, esse desequilíbrio entre melodrama e comédia, que por vezes não encontra o tom certo, fragiliza a potência do tema retratado.
Vitória emociona
Certamente, o filme tem méritos inegáveis: uma história real comovente, um elenco de peso e atuações marcantes.
Entretanto, fica a sensação de que o filme poderia ir além. Faltou coragem para aprofundar as questões que fazem parte da realidade de tantos brasileiros e que continuam pedindo por visibilidade e reflexão.
Ainda assim, Vitória acerta ao trazer à tona a história de uma mulher comum que se transforma em símbolo de resistência.
Por fim, em uma época de narrativas polarizadas e superficiais, a produção se destaca por tratar com respeito, emoção e profundidade uma história real que merece ser lembrada.
É, sem dúvida, uma obra que incomoda, emociona e provoca reflexão, exatamente como o bom cinema deve fazer.
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Vitória já está em cartaz em todos os cinemas do país.
Nota da Miss TV:
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