Foto: Universal/Divulgação
Anora, o mais recente filme de Sean Baker e vencedor da Palma de Ouro em Cannes, é um conto moderno de Cinderela com um toque agridoce .
A trama gira em torno de Ani (Mikey Madison, Pânico 5), uma dançarina exótica que sonha em ascender socialmente e encontra na figura de Ivan, um jovem rico russo, a chance de realizar esse desejo.
Uma Jornada de Contrastes e Ambições
Em Anora, Baker nos conduz por uma história que mescla o extravagante e o banal, o sonho e a desilusão. Ani, a protagonista, é uma stripper fluente em russo que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao cruzar o caminho de Ivan (Mark Eydelshteyn), o herdeiro recém saído da adolescência de uma família bilionária russa.
Assim, o que começa como um encontro casual se transforma em uma relação tumultuada, culminando em um casamento impulsivo em Las Vegas.

À primeira vista, o filme parece uma versão moderna de Uma Linda Mulher, mas rapidamente revela suas intenções de desconstruir clichês românticos e expor o vazio por trás das ambições desenfreadas.
O roteiro habilmente constrói o mundo de Ani e Ivan em duas partes contrastantes.
Enquanto Ani busca na relação com Ivan uma oportunidade de ascender socialmente, ele parece mais interessado em viver uma aventura inconsequente, alheio às dificuldades da vida real.
A partir desse ponto, o filme se transforma em uma montanha-russa de emoções, com a protagonista sendo arrastada para um turbilhão de situações absurdas e violentas.
Anora e a crítica social
No primeiro ato, vemos um tom mais leve e vibrante, com uma atmosfera que quase flerta com a comédia romântica, enquanto acompanhamos a protagonista se encantar pelas promessas de uma vida de luxo.
No entanto, conforme a narrativa avança, a ilusão de Ani se desfaz, revelando uma dura realidade onde as desigualdades de classe e gênero são expostas sem filtros.
Desta maneira, é nítido que, sob a roupagem de uma comédia, Anora levanta questões importantes sobre as relações de poder, a desigualdade social e a busca por felicidade em um mundo materialista.
Aliás a jornada de Ani serve como um espelho para refletirmos sobre nossos próprios desejos e as escolhas que fazemos para alcançá-los.
Mikey Madison brilha no longa
Anora pode ter algumas falhas de roteiro, como a maneira que conduz a família de Ian, contudo, não podemos dizer o mesmo sobre a brilhante atuação de Mikey Madison.

Madison é o coração pulsante de Anora. Sua interpretação oferece profundidade e nuance a uma personagem que é ao mesmo tempo forte e vulnerável, determinada, mas não imune às armadilhas de suas próprias ambições.
Ademais, a atriz brilha tanto nos momentos de intensidade dramática quanto nas cenas de humor, deixando o público cativado por sua presença.
Mark Eydelshteyn também impressiona como Ivan, um herdeiro imaturo e egoísta, cuja falta de empatia reflete os privilégios de sua posição social.
Mas é justamente Yura Borisov, como Igor, um dos capangas da família, quem rouba a cena.
Nesse sentido, ele surpreende com uma atuação silenciosa, mas impactante e sua presença confere uma dimensão inesperada à trama, reforçando o contraste entre as expectativas e a realidade que permeiam todo o filme.
O filme consegue surpreender
Sem dúvida Sam Baker cria uma obra que alterna entre o caos cômico e o drama pungente.
As situações absurdas vividas por Ani, especialmente após a intervenção da família de Ivan, geram um humor desconfortável que intensifica a tensão da história.
E o que falar da estética visual de Anora? Marcada por luzes de neon nas boates e tons frios nos ambientes externos, essa estética reforça o contraste entre o sonho efêmero da protagonista e sua dura realidade.
Por outro lado, o ritmo do filme pode ser um ponto de discórdia. A longa introdução, que estabelece o relacionamento de Ani e Ivan, é necessária, mas se alonga além do ideal, criando um contraste brusco com o segundo ato mais dinâmico.
Ainda assim, essa construção prepara o terreno para o impacto emocional do desfecho, que dispensa sentimentalismos e mostra a protagonista confrontando suas escolhas em um mundo que penaliza os vulneráveis enquanto protege os privilegiados.
Logo, Baker não julga seus personagens, mas coloca o espectador diante de questões éticas e sociais incômodas, expondo a fragilidade das ilusões vendidas pelo dinheiro e pelo status.
Uma obra quase perfeita
Embora Anora traga os elementos característicos de Sean Baker, como a abordagem semidocumental e a sensibilidade para retratar personagens marginalizados, o longa não é isento de falhas.
Ou seja, a narrativa, em alguns momentos, parece se alongar mais do que o necessário, e o roteiro apresenta deslizes que poderiam ter sido suavizados com uma maior sensibilidade feminina na escrita ou direção.
Ainda assim, o filme encontra sua redenção no epílogo, com uma cena delicada que desafia as idealizações românticas vendidas pelo cinema.
Portanto, Baker utiliza o contraste entre a realidade e o ideal para questionar o que realmente constitui uma história de amor e o que estamos dispostos a sacrificar para alcançá-la.
Enfim, com uma protagonista inesquecível, um elenco afiado e uma narrativa que mistura comédia, drama e crítica social, Anora é uma experiência cinematográfica marcante.
Apesar de suas imperfeições, o filme reafirma Sean Baker como uma das vozes mais relevantes do cinema contemporâneo, deixando sua mensagem ecoar muito além da tela. E Mikey Madison parece que nasceu para interpretar a protagonista.
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Anora está em cartaz nos cinemas brasileiro! O filme tem 5 indicações ao Oscar 2025, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz para Mikey Madison e Ator Coadjuvante para Yura Borisov.
Nota da Miss TV:
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