Foto: Divulgação
Poucos nomes representam tão bem a cultura popular brasileira quanto o de Mauricio de Sousa.
Para gerações de brasileiros, o nome dele é sinônimo de imaginação, ternura e infância.
Criador da Turma da Mônica, o quadrinista que moldou o imaginário de milhões agora ganha sua própria cinebiografia em Mauricio de Sousa – O Filme, dirigida por Pedro Vasconcelos.
Mas será que o filme já jus à vida do pai da Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão e companhia?
Um herói das páginas e da vida real

Certamente, poucos nomes representam tão bem a cultura popular brasileira quanto o de Mauricio de Sousa.
O criador da Turma da Mônica e de mais de 400 personagens, marcou gerações e, agora, ganhou um retrato à altura de sua importância em Mauricio de Sousa – O Filme.
Aliás, a produção é baseada no livro Mauricio – A História que Não Está no Gibi percorre as primeiras quatro décadas da vida do artista.
Isto é, desde a infância em Mogi das Cruzes (SP) até o momento em que suas ideias começam a ganhar o mundo.
Assim é uma narrativa sobre persistência, criatividade e família — contada com a leveza que sempre acompanhou as histórias do seu universo de personagens.
Da infância encantada ao biografado idealizado
Um dos aspectos mais encantadores do longa está em suas passagens mais lúdicas, especialmente na infância do protagonista, vivida com carisma por Diego Laumar.
É nesses momentos, repletos de doçura e comicidade, que a obra mais se aproxima do espírito das criações de Mauricio — com ecos de Chico Bento, Mônica e Cascão.
Portanto, há leveza, humor físico e imaginação, reforçando a mensagem sobre nunca desistir dos próprios sonhos.
Das brincadeiras à criação de um império

Como já falado, a infância de Mauricio é o ponto de partida da jornada.
Assim, vemos um menino curioso, apaixonado por desenhar e ouvir as histórias da avó Dita (Elizabeth Savalla) e que cresce cercado de afeto e imaginação.
Já adulto, o personagem ganha vida nas telas através de Mauro Sousa, filho do próprio quadrinista.
Aliás, essa escolha adiciona emoção e autenticidade à narrativa.
Ao invés de apostar em dramas intensos ou zonas de sombra, a cinebiografia escolhe um tom leve e otimista.
Logo, é uma narrativa que se mantém fiel à essência do homenageado.
E mesmo nos momentos de dificuldade, Mauricio encara a vida com um sorriso no rosto, em uma abordagem que lembra as produções familiares clássicas da Disney.
No entanto, esse otimismo constante pode soar idealizado para parte do público adulto, que talvez esperasse ver mais conflitos e complexidades.
Ainda assim, a proposta é clara: oferecer uma experiência acolhedora, para crianças e nostálgicos, que encontram no filme um espelho do espírito dos gibis que marcaram a infância de tantos brasileiros.
Mauricio de Sousa – O Filme brinca com a imaginação
Entre os destaques do roteiro, estão as inspirações que deram origem à Turma da Mônica.
Nesse sentido, Bidu, o primeiro personagem, nasceu de Cuíca, o cachorro de infância de Mauricio.
Cebolinha veio de um amigo que trocava o “r” pelo “l”, enquanto que Cascão surgiu de um garoto que fugia do banho.
Já Horácio refletia o lado filosófico do autor.
Quanto a Mônica, inspirada em sua filha, tornou-se símbolo de força e carisma , ou seja, o coração de um universo que encantou milhões.
Além disso, Mauricio de Sousa – O Filme explora momentos de dificuldade, como a fase em que jornais paulistas deixaram de publicar suas tiras, e a amizade com Ziraldo, essencial em sua trajetória.
Tudo isso é narrado de maneira fluida, com o tom nostálgico de quem revisita lembranças preciosas.
Entre nostalgia e novas gerações

Mauricio de Sousa – O Filme não busca grandes reviravoltas ou tensões dramáticas.
Assim seu maior trunfo é justamente a sinceridade: a história de um homem que acreditou nos próprios sonhos e, com lápis e papel, transformou o cotidiano brasileiro em arte.
Mesmo com pequenas falhas na caracterização dos personagens e alguns momentos de humor que não funcionam tão bem, o resultado é um retrato afetuoso, nostálgico e inspirador.
Enfim, um filme que toca tanto quem cresceu com a Turma da Mônica quanto quem está descobrindo agora a força e o encanto desses personagens.
Doçura, nostalgia e limitações
Apesar das falhas, é inegável o carisma do elenco de apoio.
Thati Lopes se destaca como Marilene, primeira esposa de Mauricio, trazendo humor e humanidade à narrativa.
Já Natália Lage e Elizabeth Savalla também brilham como as figuras maternas que moldaram o quadrinista.
Quanto a trilha sonora emotiva e as breves inserções de animação resgatam a ternura que sempre acompanhou o universo da Turma da Mônica.
O problema é que essa doçura, embora presente, raramente é suficiente para equilibrar a rigidez da estrutura e o excesso de reverência.
Assim, o filme entrega momentos encantadores e nostálgicos, mas deixa escapar a oportunidade de revelar o homem por trás do mito.
Isto é, o empreendedor, o criador obstinado e o artista que atravessou gerações com seu lápis e sua imaginação.
O filme em si
Mauricio de Sousa – O Filme é, acima de tudo, uma carta de amor sincera, afetuosa e visualmente bem produzida.
É impossível sair da sessão sem se emocionar com o legado de um artista que ensinou gerações a sonhar.
E que, ainda, continua desenhando o Brasil com o coração de uma criança.
Em suma, entre nostalgia, ternura e leveza, Mauricio de Sousa – O Filme é uma cinebiografia que fala diretamente ao coração.
Pode não revelar segredos ou provocar grandes reflexões, mas emociona ao celebrar um dos maiores contadores de histórias do Brasil: um homem que desenhou sonhos e os transformou em patrimônio cultural.
E você, qual é a sua lembrança mais marcante com a Turma da Mônica?
A cinebiografia do Mauricio de Sousa está em cartaz nos principais cinemas do Brasil!
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