Foto: Getty Imagines
O Festival de Cinema de Veneza recebeu com entusiasmo a estreia mundial de O Mágico do Kremlin, novo longa de Olivier Assayas.
Estrelado por Jude Law, Paul Dano e Alicia Vikander, o drama político conquistou uma ovação de pé de quase 12 minutos, com direito a gritos de “Bravo!”.
Além disso, deixou uma emoção visível do elenco no palco.
Assayas, aliás, conhecido por obras como Personal Shopper e Wasp Network, celebrou o momento ao lado da equipe e destacou a relevância do projeto em tempos de tensões geopolíticas.
Enredo e inspirações

Adaptado do romance de Giuliano da Empoli, o filme acompanha Vadim Baranov (Paul Dano), um ex-artista e produtor de reality shows que, nos anos 1990, se torna o conselheiro não oficial de Vladimir Putin.
Na trama, Law interpreta o futuro líder russo em ascensão, enquanto Alicia Vikander vive Ksenia, esposa de Baranov, dividida entre ambições pessoais e os dilemas políticos do marido.
Ademais, o elenco ainda conta com Jeffrey Wright, Tom Sturridge e Will Keen.
Por fim, o roteiro, assinado por Assayas em parceria com o escritor Emmanuel Carrère, se inspira livremente na figura real de Vladislav Surkov, um dos principais estrategistas do Kremlin.
Produzido pela Gaumont em coprodução com a France 2 Cinéma e a Disney+, o longa já tem distribuição internacional garantida.
Jude Law como Putin
Durante a coletiva de imprensa, Law afirmou não ter sentido medo de repercussões ao interpretar Putin.
“Eu confiava em Olivier e no roteiro. Não buscamos polêmica pela polêmica, mas sim nuance e consideração. Era importante lembrar que esse é apenas um personagem dentro de uma história muito mais ampla”, disse o ator britânico.
O desafio maior, segundo ele, foi lidar com o mistério em torno da figura pública de Putin:
“Chamavam-no de ‘o homem sem rosto’. Existe uma máscara, uma opacidade. Mostrar emoção sem revelar demais foi o grande conflito”.
Já para o diretor, O Mágico do Kremlin não busca polêmica gratuita, mas sim refletir sobre o caos da política contemporânea.
“É drama, é ação, mas também uma tentativa de entender como chegamos a esse ponto da história”, declarou.
O Mágico do Kremlin e a crítica internacional

Apesar da calorosa recepção do público no festival, a crítica se mostrou dividida.
Damon Wise, do Deadline, classificou o filme como “cativante”, afirmando que O Mágico do Kremlin “oferece um aviso ao Ocidente sobre como esse estado de coisas surgiu”.
Ele também destacou Jude Law como “um Putin surpreendentemente eficaz, levando o beicinho do presidente à perfeição”.
Por outro lado, o Little White Lies criticou a condução da narrativa, escrevendo que o filme “abandona completamente sua tentativa de sátira para se agarrar à realidade sombria do presente”.
Já o The Playlist foi ainda mais duro, chamando o longa de “um tédio inchado” e “desajeitado de assistir”.
No entanto, mesmo com ressalvas, há consenso quanto à força do elenco.
Nesse sentido, o Telegraph afirmou que “os tiques do sociopata-chefe da Rússia são assustadoramente bem capturados” por Law.
Por fim, o The Independent destacou que o ator entrega “um Putin intenso e nu”, ainda que tenha considerado o longa “um drama medíocre”.
Entre o espetáculo e a polêmica
Para o diretor, O Mágico do Kremlin não busca polêmica gratuita, mas sim refletir sobre o caos da política contemporânea.
“Parte desse mal começou com a ascensão dele ao poder. Mas o que mais me interessa é mostrar a natureza do poder em si, como funciona internamente”, explicou o cineasta, que enfrentou dificuldades logísticas e políticas ao filmar.
A solução encontrada foi rodar o longa na Letônia, recriando cenários do Kremlin e das residências presidenciais.
Além disso, Jeffrey Wright aproveitou o momento para refletir sobre os paralelos com a história dos Estados Unidos:
“Também tivemos impulsos autocráticos, mas a ideia de que podemos aspirar a algo melhor sempre nos salvou. Se isso se perder, caímos no que o filme mostra”.
Já Paul Dano ressaltou a importância de enxergar além do maniqueísmo.
“Rotular Baranov apenas como mau seria uma simplificação. O interessante é explorar as zonas cinzentas, porque é nelas que a política realmente se revela.”
Segundo Assayas, essa foi justamente a força do elenco. Isto é, Law reinventando Putin como um mito crível e Dano mergulhando nos bastidores da política russa para dar profundidade ao seu personagem.
Festival de Veneza e O Mágico do Kremlin
Mais do que um drama político, O Mágico do Kremlin parece propor um espelho ao presente.
Ou seja, não se trata apenas do rosto de um líder, mas de um sistema que produz máscaras.
Ao trazer essa reflexão, o filme se soma à tradição do cinema que não teme questionar estruturas de poder e Veneza segue como o palco ideal para esse embate entre cultura e política.
Certamente, o longa promete se manter no centro dos debates da temporada de festivais, seja pelo tema espinhoso ou pela força de suas atuações.
E você, ficou curioso para assistir a O Mágico do Kremlin e ver Jude Law no papel de Vladimir Putin?
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