Foto: Reuters
O cinema brasileiro voltou a ser protagonista em Cannes com O Agente Secreto.
O novo longa de Kleber Mendonça Filho estreou com aclamação na 78ª edição do festival.
Além disso, o filme estrelado por Wagner Moura levou dois dos principais prêmios paralelos do evento.
Os prêmios foram o da crítica da FIPRESCI (Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica) e o Prix des Cinémas Art et Essai, concedido por exibidores independentes que reconhecem produções comprometidas com o circuito de salas de arte.
Filme brasileiro brilha em Cannes
Inegavelmente, a escolha da FIPRESCI destacou a densidade narrativa e o poder simbólico da obra.
Segundo o júri, trata-se de “um filme que permite digressão, humor e caráter para evocar uma história rica, estranha e profundamente preocupante de corrupção e opressão”.
Ademais, o reconhecimento também carrega um peso simbólico para o diretor, que foi crítico de cinema durante mais de uma década antes de se consolidar como cineasta.
Em seu discurso emocionado, Kleber relembrou a trajetória:
“Durante 13 anos da minha vida eu dediquei a escrever. Depois de uma semana tão intensa, estou muito feliz.”
O Agente Secreto: Um retorno sombrio à década de 1970

Ambientado em 1977, em plena ditadura militar, O Agente Secreto acompanha Marcelo (Wagner Moura), um cientista especializado em tecnologia que retorna ao Recife após anos fora.
Assim, ao reencontrar sua cidade natal, ele se vê ameaçado por forças políticas e empresariais que tentam silenciá-lo.
Logo, a narrativa combina suspense, crítica social e reconstituição histórica minuciosa, numa atmosfera que remete aos thrillers políticos dos anos 1970.
Além disso, Marcelo, alvo de uma perseguição implacável após contrariar interesses de uma empresa de energia ligada ao regime, busca refúgio com o filho pequeno numa pensão que abriga refugiados.
Auxiliado por uma célula de resistência liderada pela misteriosa Elsa (Maria Fernanda Cândido) e por um sogro cineasta (Carlos Francisco), Marcelo tenta sobreviver em uma trama que articula conspiração, memória e esperança em tempos sombrios.
O elenco ainda conta com Gabriel Leone, Hermila Guedes, Alice Carvalho e participação especial do ator alemão Udo Kier, que já havia trabalhado com Kleber em Bacurau.
Recepção calorosa e críticas entusiasmadas de O Agente Secreto

Após sua première em Cannes, o filme foi aplaudido por 13 minutos e rapidamente se tornou um dos títulos mais comentados da edição.
Nesse sentido, críticos renomados foram unânimes nos elogios.
Peter Bradshaw, do The Guardian, deu cinco estrelas e chamou o filme de “brilhante”.
Já Nicholas Barber, da BBC, descreveu a obra como um “thriller político estiloso e vibrante”, apontando-a como potencial candidata ao Oscar 2026.
A plataforma The Playlist, por sua vez, comparou o alcance emocional e histórico da obra ao de Roma, de Alfonso Cuarón, destacando o detalhado trabalho de reconstituição do Recife da década de 1970.
Por fim, a Variety celebrou a forma como o filme revela “uma surpreendente rede de apoio clandestina durante a ditadura militar no Brasil”.
Distribuição internacional e expectativa por prêmios
Ainda sem data de estreia no Brasil, O Agente Secreto será lançado pela Vitrine Filmes no país.
No exterior, a NEON – responsável por sucessos como Parasita e Anatomia de uma Queda – cuidará da distribuição nos Estados Unidos.
Já a MUBI, plataforma voltada ao cinema autoral, adquiriu os direitos para Reino Unido, Irlanda, América Latina e Índia.
Além disso, o longa também figura entre os favoritos ao prêmio máximo de Cannes, a Palma de Ouro, cujo júri este ano é presidido pela atriz francesa Juliette Binoche.
A cerimônia de encerramento ocorre neste sábado (24 de maio) e a expectativa para o filme brasileiro é grande.
Apesar da forte concorrência com filmes de cineastas como Jafar Panahi e Joachim Trier, O Agente Secreto é visto como um forte candidato por veículos como Screen Daily, Variety e FilmeLand Empire.
Uma trajetória construída com consistência
Certamente, Kleber Mendonça Filho consolida sua presença em Cannes com mais essa conquista.
Desde O Som ao Redor (2012), o pernambucano tem sido figura constante no circuito internacional.
Ou seja, foi indicado à Palma com Aquarius (2016), premiado pelo júri com Bacurau (2019) e exibiu o documentário Retratos Fantasmas (2023) na mostra paralela.
Além disso, sua filmografia, marcada por inquietações sociais e criatividade formal, ganha agora um novo capítulo com O Agente Secreto.
Embora o longa possa ser considerado por muitos uma ficção, ao revisitar o passado, ele lança luz sobre questões ainda muito atuais.
E você, acha que O Agente Secreto tem chances reais de conquistar a Palma de Ouro?
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