Foto: Divulgação
O Festival de Cannes 2025 chega à sua reta final reunindo uma safra de filmes que misturam gêneros, provocam emoções e desafiam convenções.
Entre investigações excêntricas, resgates históricos, dramas familiares e experiências visuais extremas, o cinema prova mais uma vez que continua sendo um espelho multifacetado da realidade e da imaginação.
The Mastermind: Kelly Reichardt troca o bucólico pelo criminal

A consagrada diretora Kelly Reichardt surpreende ao deixar de lado sua típica estética minimalista e contemplativa para mergulhar em um tenso drama de assalto.
Nesse sentido, The Mastermind é ambientado na turbulenta década de 1970, em Massachusetts, e traz Josh O’Connor no papel de J.B. Mooney.
Seu personagem é um carpinteiro desempregado que se reinventa como ladrão de arte amador.
Acompanhado por Alana Haim e Hope Davis, O’Connor vive um personagem que tenta uma grande virada em meio a um cenário político e social inflamado.
Aliás, a mudança de tom e tema demonstra a versatilidade de Reichardt, que já havia emocionado Cannes em obras anteriores como Wendy e Lucy e Showing Up.
Agora, ela entrega um filme sobre ambição, desespero e colapsos pessoais.
13 Dias 13 Noites: suspense e tensão real no Afeganistão

Inspirado em uma história verídica, 13 Dias 13 Noites marca o retorno de Martin Bourboulon ao cinema contemporâneo após sua incursão no clássico Os Três Mosqueteiros.
Assim, o longa acompanha a angustiante missão do Comandante Mohamed Bida (vivido por Roschdy Zem).
Ou seja, ele fica encarregado de evacuar centenas de pessoas da Embaixada da França em Cabul durante a retomada do Talibã em 2021.
O filme se equilibra entre ação e drama humano, com destaque para Lyna Khoudri no papel de uma humanitária que atua como intérprete.
Por fim, Bourboulon transforma a crônica do caos em um thriller político envolvente, evocando não apenas a urgência da situação como também a dimensão emocional de um líder no limite.
Honey Don’t!: Ethan Coen mergulha em uma comédia queer

Com Honey Don’t!, Ethan Coen reafirma sua nova fase autoral após a separação criativa de seu irmão Joel.
A comédia negra, que integra uma trilogia de filmes B lésbicos idealizada com sua parceira Tricia Cooke, apresenta Margaret Qualley como uma detetive particular envolvida com um guru de culto e uma figura misteriosa interpretada por Aubrey Plaza.
Além disso, Chris Evans também integra o elenco.
O filme mistura investigação, sátira religiosa e sensualidade desregrada; um coquetel explosivo de humor, subversão e crítica social.
Inegavelmente, o projeto confirma a intenção de Coen de explorar caminhos alternativos no cinema, sempre com sua dose característica de excentricidade e ironia.
Woman and Child: drama familiar no Festiva de Cannes

O diretor iraniano Saeed Roustaee volta a Cannes com Woman and Child, após a repercussão (e perseguição política) de Baradaran-e Leila.
Desta vez, ele entrega um melodrama sombrio sobre Mahnaz (Parinaz Izadyar), uma enfermeira viúva que enfrenta crises familiares e sociais ao lado do filho rebelde e de um novo pretendente.
O filme recebeu críticas mistas.
Assim, apontado por alguns como menos ousado que seus trabalhos anteriores. No entanto a performance de Izadyar foi amplamente elogiada, cotada inclusive ao prêmio de Melhor Atriz.
Com uma abordagem mais clássica, Roustaee ainda consegue provocar discussões relevantes sobre o papel da mulher no Irã e o impacto de decisões individuais em um sistema opressor.
Resurrection: Bi Gan tenta conquistar o Festival de Cannes

Fechando o décimo dia, Resurrection, do cineasta chinês Bi Gan, dividiu opiniões com sua proposta radical.
Isto é, uma narrativa onírica onde a humanidade perdeu a capacidade de sonhar e de viver eternamente.
Yee Jackson, Shu Qi e Yan Nan estrelam esta fábula visualmente arrebatadora e existencialmente densa.
O longa, que recebeu uma ovação moderada e comentários variados, oscila entre ser chamado de “cura para insônia” e “obra maximalista e hipnótica”.
Com duração de 155 minutos, é uma experiência que exige paciência, mas recompensa os espectadores mais abertos com imagens poderosas e uma ambição estética rara.
Com tantas propostas diferentes, Cannes 2025 prova que a diversidade criativa segue sendo o coração pulsante do festival.
E você? Qual dessas histórias mais te chamou atenção?
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