Foto: Getty Images
Estreando na competição oficial do Festival de Cannes 2025, The History of Sound chegou com promessas de poesia visual e emoção contida.
Além de cumprir com delicadeza, o longa dirigido pelo sul-africano Oliver Hermanus (Living), é baseado no conto de Ben Shattuck, que também assina o roteiro,
Enfim, The History of Sound traz Paul Mescal e Josh O’Connor como protagonistas de uma história de amor marcada por silêncios, separações e memórias sonoras.
The History of Sound mistura amor, música e melancolia

A trama começa em 1917, em um bar de Boston, onde Lionel (Mescal), jovem cantor do interior de Kentucky, escuta uma melodia familiar ao piano.
O músico é David (O’Connor), colega no Conservatório da Nova Inglaterra.
Assim, o encontro dos dois dá início a uma conexão imediata, que se transforma em romance.
Mas a guerra está à espreita, e David logo é convocado para o front, separando o casal em plena ebulição afetiva.
Com estilo contemplativo e fotografia assinada por Alexander Dynan, o filme evita os clichês de grandes declarações e se ancora na sutileza das emoções.
Por fim, o filme se desenrola como um diário melódico.
Ou seja, Lionel e David, apaixonados pela música folclórica americana, embarcam em uma viagem pelo Maine em busca de canções esquecidas.
Gravadas em cilindros de cera, essas músicas ganham novos significados enquanto acompanham a evolução do amor entre os dois.
Um romance encantador

Se por um lado o ritmo pausado e a estética refinada dividem opiniões, por outro é difícil não se deixar tocar pelo lirismo da obra.
Nesse sentido, Hermanus evita retratar a sexualidade dos protagonistas como conflito central.
Em vez disso, foca na juventude, nas perdas inevitáveis e naquilo que permanece, mesmo com o passar dos anos.
A presença de Chris Cooper como Lionel mais velho adiciona um tom melancólico e maduro à história.
Isto é, ele revive, com tristeza e ternura, um amor que jamais o abandonou.
Embora comparações com O Segredo de Brokeback Mountain sejam inevitáveis, The History of Sound escolhe um caminho mais contido, quase etéreo, para narrar sua história.
A química entre Mescal e O’Connor é palpável, mesmo quando o roteiro opta por silêncios prolongados.
Ambos entregam atuações sensíveis e cantam com emoção genuína músicas tradicionais norte-americanas, como Sweet Is The Day of Sacred Rest e The Unquiet Grave, com arranjos de Sam Amidon.
Trilha Sonora marcante em The History of Sound
Certamente, a trilha sonora do longa é um espetáculo à parte.
Emocional, nostálgica e profundamente enraizada na cultura popular dos EUA.
Entre cartas não respondidas, encontros marcados e destinos desviados, o filme constrói um retrato comovente de um amor que desafia o tempo e a distância.
Apesar de não agradar todos os públicos com sua narrativa lenta e contenção dramática, The History of Sound é uma obra feita com rigor artístico e coração.
Um filme para ser sentido em silêncio, como um eco de uma canção que se recusa a desaparecer.
E você, acredita que The History of Sound possa conquistar a temporada de premiações?
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