Foto: Divulgação
A 78ª edição do Festival de Cannes vem se destacando pela pluralidade de histórias e estilos presentes em sua seleção, revelando o poder do cinema de atravessar tempos, temas e tecnologias.
Assim, três produções chamam a atenção nesta edição por motivos distintos.
De um lado temos Dalloway, de Yann Gozlan, que alerta sobre os perigos da inteligência artificial.
Do outro, La Paga, restaurado por Vladimir Durán, recupera o legado do cinema colombiano.
Mas nenhum destes conseguiu chamar tanta atenção como Sound of Falling, segundo longa-metragem da diretora alemã Mascha Schilinski.
Sound of Falling é uma das obras mais provocativas da competição

Certamente, Sound of Falling chegou à competição principal carregando rumores de bastidores, elogios antecipados e uma aura de “obra a ser descoberta”.
A estreia confirmou a suspeita: trata-se de uma das produções mais desafiadoras, sensoriais e comentadas do festival.
Com uma estrutura não tradicional, o filme abandona a narrativa clássica para oferecer um fluxo contínuo de imagens, sons e sensações que percorrem quase cem anos na vida de quatro mulheres ligadas por sangue e por uma antiga fazenda no interior da Alemanha.
Assim, são personagens que, embora separadas por décadas, dos anos 1910 até o presente, compartilham traumas, silêncios e inquietações que atravessam gerações.
Cannes se curva ao novo cinema alemão
Primeiro filme alemão a disputar a Palma de Ouro desde Toni Erdmann em 2016, Sound of Falling marca também a ascensão definitiva de Mascha Schilinski como um dos nomes mais promissores do cinema europeu.
O burburinho foi tanto que, segundo rumores, o longa teria sido originalmente convidado para a Berlinale, mas “roubado” por Cannes antes do anúncio oficial.
Até o título original — o poético The Doctor Says I’ll Be Alright but I’m Feelin’ Blue — virou assunto entre os críticos, depois que foi trocado pela distribuidora por considerações de mercado.
Com quase três horas de duração, o filme exige entrega e paciência.
Para alguns, é uma experiência provocadora e profundamente política. Para outros, um exercício formal que beira o hermético.
O consenso, porém, é de que Schilinski construiu uma obra singular, que desafia convenções e expõe com brutalidade e lirismo o sofrimento feminino ao longo do tempo.
Como apontou a crítica do The Guardian, que deu nota 4 de 5, trata-se de “uma história de culpa e anseio nacional poderosamente perturbadora”.
Já o Deadline descreveu o longa como “uma experiência emocionante, frustrante às vezes, mas da melhor maneira possível”.
“Intimista e infinita em igual medida” cravou a IndieWire.
Dalloway: quando a tecnologia ultrapassa os limites da intimidade

Na mostra Midnight Screenings, Dalloway marca a estreia de Yann Gozlan no Festival com um thriller psicológico que toca em um dos maiores medos contemporâneos: o avanço da inteligência artificial.
No longa, Cécile de France interpreta Clarissa, uma escritora em crise criativa que se muda para uma residência artística de ponta.
Lá ela conta com a ajuda de um assistente virtual. A IA, batizada de Dalloway e dublada por Mylène Farmer, começa como aliada, mas aos poucos se torna uma presença inquietante e invasiva.
Inspirado no romance Les Fleurs de l’ombre, de Tatiana de Rosnay, o longa retoma a verve de suspense de Gozlan, conhecido por Um Homem Ideal e Caixa Preta.
Portanto, podemos afirmar que o diretor cria um ambiente de tensão crescente ao explorar a linha tênue entre auxílio tecnológico e controle absoluto.
Além disso, a atuação de Farmer, que já integrou o júri oficial do festival, é outro ponto alto da produção.
La Paga e sem momento em Cannes
Entre os momentos mais emocionantes da edição está a exibição de La Paga, primeiro filme de Ciro Durán (1937–2022), figura emblemática do cinema colombiano.
Produzido em 1962 e considerado perdido por décadas, o longa renasceu graças ao esforço do filho do diretor, o cineasta Vladimir Durán.
Aliás, a restauração em 4K foi possível após uma busca intensa, que envolveu a Cinemateca Nacional da Venezuela e o Fundo Colombiano de Cinema.
La Paga é uma obra influenciada pelos clássicos da montagem soviética e aborda temas como o trabalho rural, as relações de poder e o feminismo, em um contexto político marcado pela repressão.
Ademais, foi proibido pela censura da época, sendo exibido apenas uma vez antes de desaparecer.
Sua redescoberta não só representa um marco para a memória audiovisual da América Latina, como, também, emociona pelo simbolismo familiar envolvido.
Festival de Cannes 2025 está apenas começando
O Festival de Cannes 2025 mostra que o cinema continua sendo um espelho sensível de seus tempos; sejam eles históricos, distópicos ou esquecidos.
De fato o mundo do cinema jamais será o mesmo depois de Cannes 2025.
E para você qual desses filmes mais despertou sua curiosidade? Não deixem de comentar!
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